Repetotexto publicado em 2011, com adaptações. É atemporal. Todo final de ano tem retrospectivas. Colocam molho em nosso rotineiro cotidiano e servem para lembrar como somos sortudos: com raras exceções, tragédias não acontecem conosco? Todo ano é igual: Jair de Ogum e Mãe Dinah dizendo que vai morrer artista e que a inflação vai baixar.
Proponho diferente: em vez de olhar para trás pra rever o que passou ou para frente a antecipar o que vem por aí, vamos olhar pra dentro e fazer a “Introspectiva 2013”. Alguém introspectivo é pouco social, passa a maior parte do tempo às voltas com seus pensamentos. Sabe-se que Sócrates utilizava a introspecção em seus estudos sobre os grandes enigmas da vida. O que me interessa neste final de ano é a introspecção como auto-exame para nos conhecer melhor e assim antecipar nossas reações, realizar escolhas melhores.
Introspecção envolve credos, desejos, dores e emoções. Ajuda a entender como sua mente funciona, deixando você mais apto a evitar armadilhas e principalmente, a mudar. Mas, não é fácil. Temos tendência a repetir padrões de conduta, cometendo os mesmos erros. Sabe aquela amiga que vai pedir dinheiro emprestado outra vez? E você vai acabar emprestando?
A Introspectiva 2013 colocará você na incômoda posição de ter que explicar para si mesmo a razão de não mudar. O exercício é incômodo. Mentir para si mesmo não é confortável, ninguém gosta de se confrontar com suas fraquezas. Preferimos o auto-engano, a continuidade confortável de processos que podem não ser os melhores, mas são familiares. Comece 2014 assim, olhando para o que aconteceu no mundo, no Brasil, em sua cidade, em sua família mas refletindo sobre como você reagiu. Que atitudes tomou, o que aprendeu e o que é que vai fazer a respeito. Mudar dói. Reconhecer fraquezas, também. Mas a alternativa é deixar como está pra ver como é que fica. Feliz Ano Novo.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista