09 de julho de 2026

Só 10% das escolas estaduais de Franca possuem acessibilidade


| Tempo de leitura: 2 min
A estudante Larissa Lima, 15, com sua mãe Renata: elas pedem banheiro adaptado na escola

Apenas uma em cada dez escolas estaduais possuía estruturas de acessibilidade em 2011. A informação é do portal QEdu, que, por sua vez, coletou dados do Censo Escolar. De acordo com o site, apenas seis de 58 escolas (aproximadamente 10%) estaduais na cidade possuíam dependências e acessos adequados a portadores de deficiência. Ironicamente, o número de sanitários acessíveis chegava a 24%: ou seja, havia mais escolas com equipamentos adequados para o portador de necessidades especiais ir ao banheiro do que espaços em que eles pudessem entrar sem dificuldade. Os índices das escolas estaduais em São Paulo e no Brasil (13% e 28%, respectivamente) são superiores aos das instituições gerenciadas pelo Estado de São Paulo em Franca. Atualmente, segundo números informados pela Secretaria Estadual, a porcentagem de escolas acessíveis subiu para 36% (leia mais em texto nesta página).

A situação na rede municipal é um pouco melhor: de 72 escolas, 30 delas (ou 42%) contavam com dependências acessíveis, e 51 (71%) tinham sanitários adequados para portadores de necessidades especiais. Os índices são superiores ao das escolas municipais em nível nacional (11% eram acessíveis) e estadual (13%).

Na rede estadual, uma das prejudicadas pela falta de adequação é a estudante Larissa Lima, 15, estudante do primeiro ano do ensino médio. Ela nasceu com uma má formação na coluna e anda com o auxílio de muletas. A sua principal reclamação é com relação aos sanitários. “O banheiro não é adaptado, é muito apertado. É constrangedor, porque a minha filha vai usar o banheiro e não dá para fechar a porta. Hoje, ela tem uma cuidadora, mas antes, ela já caiu no banheiro e chegou a quebrar o óculos. Já pedi (um banheiro adaptado) para a direção da escola, mas eles falam que faltam verbas. Fizeram uma reforma na escola no começo deste ano, mas não me atenderam”, disse a mãe de Larissa, a dona de casa Renata Lima, 38.

Para o presidente da Adefi (Associação dos Deficientes Físicos de Franca e Região), José Carlos Gomes, a falta de acessibilidade nas instituições de ensino é preocupante. “O certo é que 100% das escolas tivessem acessibilidade. Nós fizemos uma reunião com o Ministério Público e as secretarias municipal e estadual de Educação em agosto deste ano. No encontro, foi informado que, no ano que vem, o Ministério vai começar a cobrar a acessibilidade nas instituições de ensino e dar prazo para elas se adequarem.”

Particulares
A situação das escolas privadas em Franca também não era tão boa quanto se esperava. De 106 instituições, apenas 17% eram acessíveis e 29% tinham banheiros adequados em 2011, segundo o QEdu. No Estado, a porcentagem de escolas particulares acessíveis era ainda menor: só 9%. O vice-presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), José Augusto de Mattos, diz que “todas as escolas têm a obrigação de fazer (as estruturas de acessibilidade)”.