A Santa Casa de Franca é ré em mais de 15 processos judiciais movidos por famílias vítimas de erros médicos que teriam acontecido no hospital. Os dados são do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e se referem a ações abertas nos últimos três anos. Só em 2013, são seis processos, uma média de um a cada dois meses.
Os casos abrangem denúncias de supostas negligências no atendimento até acusações de procedimentos feitos equivocadamente pelos profissionais médicos e enfermeiros da Santa Casa de Franca. Na maioria das ocorrências, a falha teria provocado a morte do paciente.
Nos processos, as famílias cobram indenizações pelos danos causados. Somados os pedidos, o valor que poderá ser desembolsado pelo hospital caso haja condenação ultrapassa os R$ 31 milhões, sem contar as atualizações monetárias. Os supostos erros apontados pelas famílias vão desde a retirada equivocada de um testículo até a demora para a realização de cirurgias cardíacas de emergência, passando por confusões e erros de diagnósticos.
O modelista Alexandre Dias Forentino viveu o drama de ver sua mulher morrer em um quarto da Santa Casa de Franca. Cleusa Maria de Pádua, 46, deu entrada no hospital em 2011. “Ela tinha uma menstruação que não parava.” Segundo o modelista, o diagnóstico foi um aborto espontâneo. Mas dias depois, uma médica em Ribeirão Preto descobriu o real motivo: um câncer avançado no colo do útero. Cleusa morreu. Alexandre processa o hospital (leia texto nesta página).
A direção da Santa Casa foi procurada para comentar o volume de processos judiciais por erro médico, mas sua assessoria de imprensa informou que nenhum dos coordenadores poderia atender ao jornal. Todos estariam viajando.
O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) em Franca também foi procurado para falar sobre o assunto, mas no escritório regional ninguém atendeu às ligações feitas na tarde de sexta-feira.