Dificilmente um educador contemporâneo discordaria de que a escola precisa se aproximar do cotidiano vivido de seus alunos, trazer a realidade para a sala de aula, tornando os fatos, matéria viva de aprendizagem. No entanto, o mundo real requer postura mais flexível da escola e do professor, além de coragem pedagógica. Em 2014 pode ser que esses princípios sejam praticados. Haverá eleição presidencial, Copa do Mundo e, quem sabe, mais manifestações nas ruas.
Em 2013, escolas preferiram tratar das passeatas como notícia de jornal. Perderam a chance de retomar processos recentes que mudaram o curso da História do país!
Entre as lições dos movimentos de rua, está a de que os jovens querem, sim, manifestar posições políticas, ainda que não se encaixem em cores partidárias. E a escola e deve ser um espaço de construção de opiniões, busca de consensos, sempre alicerçados em informações, em análises bem embasadas, enfim, em conteúdos curriculares. Tudo é desenvolvimento de cidadania.
Do mesmo modo, a Copa não é apenas evento esportivo, mas fato de proporções planetárias que permite análises sobre a opção de um país de sediar, as consequências para a população, a importância dos esportes na formação dos jovens, os investimentos envolvidos.
Vai muito além da discussão sobre haver, ou não, feriado nos dias de jogos.
Ao longo de 2014, haverá, então, oportunidades de se tornar o ensino mais significativo, da Educação Infantil ao Ensino Médio.
Na verdade, melhor do que esperar é criar chances. A matéria viva do ensino está nas crises ambientais, no pré-sal, na violência, nas carências da saúde, na tecnologia, na inflação ou nas redes sociais.
Francisca Paris
Pedagoga, mestra em educação e diretora do Ético Sistema de Ensino