08 de julho de 2026

Realidade perversa


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Já se comentou aqui, no decorrer deste e dos anos anteriores, a alta taxa de mortalidade registrada no trânsito brasileiro. Somente no ano passado, foram 43.256 mil mortos. Neste ano, o número pode superar as 46 mil vítimas fatais, caso se mantenham as variáveis registradas no período mencionado. Assim, o Brasil registraria o equivalente a 3.882 mortes por mês (na Alemanha, em todo o ano passado, acidentes de trânsito mataram cerca de 3.600 pessoas), 127 mortes por dia, 5 mortes por hora ou 1 morte a cada 11 minutos e 18 segundos.

Para se ter uma ideia do tamanho da tragédia, basta lembrar que os acidentes ocorridos nas rodovias estaduais de São Paulo causaram 42 mortes durante os seis dias do feriado prolongado de Natal desde a sexta-feira, 20, até as 23h59 de anteontem, 25. No mesmo período do ano passado ocorreram 44 mortes na mesma malha viária. As estatísticas não contemplam as estradas federais que cortam o Estado de São Paulo, cujos números não tinham sido ainda divulgados até a tarde de ontem.

A Polícia Rodoviária Estadual ressalta que o número de acidentes, nos 22 mil quilômetros de rodovias do Estado, diminuiu de 1.332 (em 2012) para 1.272. Mas deve-se lembrar de que o dia de Natal no ano passado caiu numa terça-feira. Ou seja, com um dia a menos de ‘feriadão’: a saída dos veículos deu-se na sexta-feira, dia 21. Neste ano, foi no dia 20. O número de feridos caiu de 791, no ano passado, para 773, representando 2% a menos. Ainda de acordo com o relatório, a polícia fez 2.205 autuações por ultrapassagem em local proibido e 2.307 por falta do uso obrigatório do cinto de segurança. Foram recolhidos, devido a irregularidades, 1.302 veículos, 518 carteiras de habilitação e 2.006 documentos de veículos. Foram presos, em flagrante delito, 101 condutores pelo crime de embriaguez ao volante, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano passado (81 casos).

A maioria dos acidentes, como sempre, é causada pela soma de embriaguez e imprudência do volante, o que se repete nas vias urbanas também. Até quando continuaremos noticiando estas tragédias, como as 16 mortes registradas no dia 20 na rodovia Régis Bittencourt, quando um ônibus saiu da estrada e caiu na ribanceira? E os diversos acidentes que ocorreram nos últimos dias em Franca e municípios da região, tanto nas estradas como no perímetro urbano? É uma conta perversa que vai continuar crescendo enquanto não houver uma conscientização de autoridades e motoristas quanto a responsabilidade de cada um.

O que não se entende é que, diante destes exemplos negativos, ainda não se buscaram fórmulas que façam os motoristas entenderem que a redução dos acidentes de trânsito, principalmente com vítimas fatais, depende da correção do condutor de veículos automotores. Na maioria dos casos, o excesso de velocidade é somado à embriaguez e à imprudência. Neste caso, motoristas não tiram apenas as próprias vida, mas normalmente levam de roldão familiares e terceiros. O fim da impunidade é um caminho. A conscientização, também. Então, vamos nos unir para tentar conseguir reduzir a violência em nossas ruas e estradas, para que os próximos natais sejam dias de verdadeira paz e alegria.

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