16 de março de 2026

Sinais de Natal


| Tempo de leitura: 3 min

Somos privilegiados por termos conhecido vários contadores de histórias e estórias, casos que passam de geração para geração, nos levando a induções e reflexões. Mais uma vez aproveitamos momentos festivos para fugir de nossos costumeiros temas políticos e contarmos uma história que trazemos guardada em nossa memória.

‘Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter conseguido agarrar-se a alguns destroços , para boiar. Ao chegar a uma pequena ilha desabitada e fora de qualquer rota de navegação, o sobrevivente voltou a agradecer. Com alguns destroços e muita dificuldade, conseguiu construir um pequeno abrigo para se proteger do sol, chuva, dos animais e para ter onde guardar seus poucos pertences. Como sempre agradeceu a Deus. Nos dias que se seguiram, a cada alimento que conseguia caçar ou colher, ele agradecia. Um dia, ao retornar de sua caminhada em busca de alimentos, o náufrago encontrou seu abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça. Terrivelmente desesperado, ele se revoltou e, chorando, lamentou. ‘O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus, por que fizestes isso comigo?’. Chorou tanto que adormeceu profundamente, exausto. No dia seguinte bem cedo, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava. ‘Viemos resgatá-lo! Gritou ao longe uma voz no navio’. Como souberam que eu estava
aqui?’, gritou o náufrago. Vimos seu sinal de fumaça...’

Deus, constantemente, nos auxilia através de sinais que, talvez, pela nossa visão deturpada pela ‘loucura’ em busca de posses e bens, não conseguimos detectar. Assim é a vida na atualidade: um mundo de egocêntricos que acreditam que o mundo gira a seu redor, desconsiderando que todos nós fazemos parte de uma grande engrenagem que deve funcionar perfeitamente, mas a ganância, a falta de humildade, de amor, de despojamento etc., tem levado o ser humano à prática de atos totalmente desumanos.

Todos queremos ser felizes, viver melhor, mas não podemos desejar aos outros aquilo que não desejamos a nós. A felicidade não surge da noite para o dia, ela nasce dos bens que espalhamos, não daqueles que acumulamos inutilmente. Podemos estar em dificuldades, porém,também podemos, com simples palavras, ajudar nas dificuldades dos outros. A vida em sociedade somente se elevará quando aprendermos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e, com certeza, a vida nos retribuirá com o melhor dela própria.

Durante toda a nossa vida, recebemos sinais. Inicialmente, não sabermos interpretar, mas, após vários acontecimentos duramente vivenciados, aprendemos que por trás de cada detalhe, cada situação vivida, há um sinal de elevação espiritual, de correção de rumo, de análise, reflexão e principalmente nos levando a modificações em nosso modo de pensar e agir em relação ao próximo.

Outro dia um leitor nos fez observação a propósito de nossos artigos, que nos deixou sensibilizado e nos estimulou a continuar escrevendo. Disse que, de tantos temas técnicos, apesar de aparentemente ‘chatos’, nós conseguíamos trazê-los para a vida cotidiana e torná-los decifráveis. Sentimo-nos felizes e estimulados a continuar ‘contadores de histórias’ da vida em sociedade. Para nós, esse discorrer semanal tem valido como realização e é um exercício revitalizador de antigas e passadas horas de meditação, sobre a vida em sociedade, experiências que a vida nos proporcionou, principalmente durante viagens e nos alojamentos de várias bases aéreas.

Enfim, diante da correria que vivenciamos nos últimos minutos antes da noite de Natal, o principal é que tenhamos consciência de que o que, realmente, estamos a comemorar, os sinais de Natal, nunca estão em liquidação nem se condicionam a ‘enquanto durar o estoque’, nem é preciso correr antes que acabe... Feliz Natal a todos!