Têm sido duro o trabalho de reportar o mundo violento onde vivemos. Infelizmente, quase dia após dia, este Comércio tem trazido manchetes sobre mortes no trânsito, ou por desavenças, além de documentar a fragilidade de nossas leis, que transformam homens de bem em vítimas sem segurança, e bandidos em seres dignos de dó e benefícios. Incomoda, claro, mas jornalistas não falam só de alegrias. Há leitores que reclamam sobre a escalada de violência divulgada, alguns falando em ‘sensacionalismo’.
Ao contrário do que se pensa, não elegemos o que chamam de ‘ênfase a desgraças’ ou ‘sensacionalismo’ para decidir o que publicar. Retratamos, pura e simplesmente, o cotidiano, e o cotidiano francano tem sido absurda ‘desgraça’, mesmo se observarmos sob o ponto de vista de cenários diferentes aos da droga, da insegurança pública, do trânsito que mata cada vez mais, e, especialmente, da falta de razoabilidade que caracteriza o homem deste tempo.
Vira e mexe, o assunto volta a ser debatido com leitores que prefeririam ver, em manchete, só flores, alegrias e fatos positivos, mas o mundo não é assim. Escondêssemos as mazelas humanas, não mereceríamos os 93% de plena aceitação ao trabalho jornalístico que, diuturnamente, publicamos. E temos que ser pedagógicos. Só mostrando o que incomoda a sociedade é que cumpriremos o que de nós se espera: ampliar o debate, escancarar o cipoal de leis confusas produzidas por aqueles que escolhemos e, que, vivendo o bem bom do cargo político, escolhem trilhar caminhos longe do que deles esperam os cidadãos de bem. O povo brasileiro não tem tradição em cobrar aqueles nos quais vota, exigindo comprometimento e ética no exercício do cargo, além de bom senso e dedicação à resolução dos problemas reais que demandam das ruas. Então, mostrar, não é fazer sensacionalismo. É demonstrar que é real, que pode nos atingir em qualquer lugar, mesmo dentro da segurança(?) de nossos lares. É, sobretudo, ajudar a criar soluções. Sensacionalismo não é, e nunca foi o nosso negócio. A cláusula pétrea de nosso código de ética e conduta é o factual.
Lembro, ainda, a velha e ultrapassada história que dava, ao interior, a condição de ‘lugar calmo e seguro, diferente das grandes capitais’. Acabou, e faz tempo. Não dá mais para deixar o carro com janelas abertas na rua. Não dá mais nem para sair à rua imaginando que cercas elétricas, alarmes de todos os tipos ou segurança armada, são capazes de proteger o lar, o último bastião da sociedade que o Estado deveria garantir, mas não dá conta. Insegurança é, infelizmente, marca deste Brasil, especialmente de cidades que pesquisas sérias indicam como grandes geradoras de emprego do país e, imagina-se, de economias fortes. É nessas comunidades que os olhos marginais se focam. E ai de nós se veículos corajosos não contam o que disso deriva. Diretor nosso, frequentemente, tem nos lembrado que ‘o mundo não é cor de rosa’.
Ainda assim, os ‘toques’ de leitores são determinantes para nós, quase uma ouvidoria. Se críticos e construtivos, comentários podem gerar matérias complementares, novas abordagens e, se é o caso, posicionamentos editoriais e públicos do GCN. Afinal, é para quem nos lê que escrevemos todos os dias, há 98 anos, ‘doa a quem doer’.
VOTOS : Agradeço votos de bom Natal e Ano Novo de trabalho, saúde e prosperidade recebidos de Usina Jussara (o caderno que chamo ‘Ata’ tem sido muito útil, nos últimos anos. Obrigado aos amigos Odorico e Láercio Barbosa), Francal e Estrutural (João Batista e Alex, meus quase irmãos), Iroá Lima Arantes (a gerente regional do Sebrae/Unidade de Franca), Senac SP, Sebrae/SP (Alencar Burti, presidente e Bruno Caetano, superintendente), CMDCAF (presidido por Sônia Maria de Andrade Souza, que lembra ser esta a hora de doar percentual do IR ao Fundo da Criança e Adolescente. Vá correndo a www.seufutu ro .org.br).
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br