As edições diárias deste Comércio, do Portal CGN e dos programas informativos da Difusora têm refletido uma realidade que está incomodando muitos francanos. A cidade que até os anos 70 foi exemplo de tranquilidade, está se mostrando pródiga em atos violentos, envolvendo desde o trânsito até os disparos de armas de fogo ou esfaqueamentos. Não há dia em que não se registre uma ocorrência violenta associada à criminalidade ou a entreveros domésticos que acabam com vítimas no hospital ou no necrotério.
A “Atenas da Mogiana”, por muitos anos destacada por causa da cultura, hoje vê muito do seu dia-a-dia nas páginas policiais. É um movimento gradual e que, nos últimos meses, ganhou a cor da apreensão. Somente nesta semana, que ainda não chegou ao fim, duas pessoas foram atacadas a tiros: uma foi levada para o hospital e a outra morreu na hora. Além disso, acidentes de trânsito se multiplicam e agressões com os mais diversos tipos de armas também se tornaram comuns.
É uma situação que vem tingindo de preocupação e tristeza a vida cotidiana em cidades médias e grandes. Nem as medidas que vêm sendo tomadas pelas autoridades responsáveis pela segurança pública estão sendo capazes de pelo menos amenizar a situação. A população, acuada e refém dentro das residências, não sabe mais como agir: o perigo surge de todos os lados, ultrapassando muros, paredes, cercas elétricas, monitoramentos eletrônicos.
O panorama em Franca mudou nos últimos 30 anos. Até o começo dos anos 1980, fatos envolvendo tiros e agressões eram esporádicos. Quando aconteciam, ganhavam as manchetes e chamavam a atenção da população. Hoje, a banalização da violência tornou o fato comum, embora sombrio. E preocupante, pois o contingente policial destinado ao município mostra-se insuficiente para conter a violência e para investigar os crimes que ocorrem.
Não há soluções, pelo menos em curto prazo, capazes de dar uma resposta aos cidadãos francanos que esperam poder sair às ruas sem preocupação com sua integridade física ou a de quem os acompanha. Levar os filhos para um passeio na praça tornou-se um verdadeiro esforço de logística: proteger os bens (carteiras, bolsas e dinheiro), saber onde estacionar o carro, quais locais frequentar e voltar cedo para casa, para não deixar a residência à mercê dos amigos do alheio.
Desta forma, a grande pergunta é: até quando os francanos, cuja cidade cresce a olhos vistos, já atingindo a área rural como informou a edição do Comércio de quinta-feira, irão suportar? Quem poderá dar uma resposta que restaure a ordem e a tranquilidade que o município já ostentou em décadas passadas? O que se espera, na verdade, é que não sejamos alvos de balas disparadas a esmo em uma loja de conveniência ou até nos portões de nossas casas. O francano busca paz e um pouco mais de tranquilidade. Hoje, a violência tão presente afastou esse cenário e transformou o quadro em uma sucessão de cenas de violência e de terror que tanto amedrontam a população.