08 de julho de 2026

Acidentes custam muito


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O Brasil está aparecendo, nos últimos anos, com um destaque negativo em diversos rankings mundiais. A educação vem despencando, os indicadores de saúde estão cada vez piores, o trânsito continua causando mais vítimas do que guerras, a corrupção provoca perdas bilionárias e a violência é um destaque negativo no cenário internacional. No caso do trânsito, as perdas são imensas e desviam dinheiro que poderia estar sendo aplicado para a melhoria dos demais índices. De acordo com relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), de 2009, o Brasil registrou 35 mil mortes que custaram US$ 13,9 bilhões (cerca de R$ 29,6 bilhões) ao País. Além das perdas irreparáveis para as famílias das vítimas, os custos oneram toda a sociedade, que sustenta, com o pagamento de impostos e contribuições, o sistema de saúde pública, responsável pela maior parte do socorro às vítimas.

Já em 2011, segundo o Ministério da Saúde, o SUS registrou 155 mil internações decorrentes de acidentes de trânsito, as quais representaram despesas de mais de R$ 200 milhões para o governo. Esse valor poderia ser melhor utilizado na própria área da saúde, pagando a construção de 140 Unidades de Pronto Atendimento com funcionamento 24 horas para o socorro de urgências e emergências. No mínimo, o “custo acidente de trânsito” deve ser o dobro do indicado pelo SUS, pois ele se refere apenas às internações na rede pública hospitalar. Ficam de fora dessa conta outros custos bastante elevados.

Agora, outro dado mostra o quanto se gasta com vítimas de acidentes de trânsito: o número de indenizações pagas pelo seguro obrigatório, o DPVAT, cresceu 25% de janeiro até setembro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 445.833 pagamentos, de acordo com dados da seguradora responsável, a Líder. Invalidez permanente continuou a ser o principal impulsionador dos pagamentos com aumento de 36%, na mesma base de comparação. As indenizações por morte cairam 9% em relação ao período de janeiro a setembro de 2012. Neste intervalo, foram pagos 41.761 benefícios por morte. Conforme a Líder, as vítimas mais frequentes continuam sendo aquelas com idades entre 18 e 34 anos, respondendo por 50,8% das indenizações, em sua maioria, do público masculino. Homens de todas as idades foram os beneficiários de 76% de todas as indenizações pagas até setembro último.

Como se pode ver, além das verdadeiras tragédias que os acidentes de trânsito causam a milhares de famílias do País, os seus custos atingem um valor que seria bem vindo para melhorar o atendimento de saúde e o nível educacional do Brasil. Como o Comércio sempre fez questão de ressaltar, o motorista brasileiro precisa urgentemente se conscientizar deste grande problema, que, na maioria das vezes, vitima a ele mesmo. Exigir melhores vias e veículos mais seguros é um caminho para reduzir os números trágicos. Mas somente a partir do momento em que condutores de carros e motos agirem com maior cautela é que os indicadores de mortes e invalidez por acidente poderão ser realmente equiparados aos de países civilizados.

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