Os bailes funk, também chamados ‘rolezinhos’, são a nova forma de desobediência civil em São Paulo. Jovens convocam outros para eventos, realizados à revelia em estacionamentos de shoppings. Seria, segundo organizadores, resposta à polícia, que os impede de fechar ruas para seus encontros. Na verdade, é mais uma forma que setores interessados na contestação social encontram para intranquilizar a população. As autoridades precisam agir rápido e, antes que seja necessário mandar a polícia reprimir, adote medidas que desencorajem eventos que podem resultar em vandalismo, furtos, ferimentos e até, mortes.
A fraqueza e a demagogia de sucessivos governos que, para benefício eleitoral, cultivam a cultura da liberdade sem responsabilidade e direito sem dever, levaram a isso. Hoje fecha-se ruas, estradas, depreda-se o patrimônio público e particular e pouco, ou nada, acontece aos agressores. Os que são presos, logo saem pela porta da frente, protegidos por legislação leniente e até incentivadora da desordem.
Agora, em São Paulo, são os shoppings que estão na mira. Os contestadores invadem e levam pânico a funcionários e frequentadores. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário precisam abrir seus olhos para esse novo e ilegal fenômeno e, por seus meios, buscar solução. Comerciantes, funcionários e clientes dos estabelecimentos não podem ficar à mercê de desordeiros e nem conviver com eventos por eles realizados à revelia.
É importante identificar quem são os organizadores dos ‘rolezinhos’ e chamá-los à responsabilidade, deles exigindo as providências comuns a todos os eventos e, se insistirem em realizar sem devidas autorizações e medidas de segurança, aplicar-lhes os rigores da lei. Não devem se esquecer, também, de identificar e punir aqueles que, com certeza, por algum interesse, estão atrás desses jovens, incentivando-os ou até auxiliando-os na transgressão. Sem medidas enérgicas marcharemos para a ruptura e aí, talvez, só medidas amargas — como o AI-5, que faz 45 anos nesse dezembro — sejam capazes de resolver. Não dá para esperar.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo