Vão longe os saudosos tempos das famílias unidas. O homem moderno é atormentado por frustração, ansiedade, insegurança, e pelo que os ingleses chamam de ‘nonsense’, falta de sentido da vida. Entre os mais atingidos estão crianças e jovens em idade escolar. Menos filhos podem ser tratados com mais carinho e atenção, não passa de utopia. Aparece, então, a figura do filho-trambolho, que atrapalha a liberdade dos pais, a do filho-descartável que se quer na escola o quanto antes e pelo maior tempo.
O psiquiatra Jairo Bouer apresentou, em O Estado de S. Paulo, 13/10/13, sob o título ‘Maconha na escola’, pesquisa com estudantes do 8º ano do fundamental até o 3º do ensino médio, de 67 escolas em 16 Estados do Brasil: amaconha foi experimentada por quase 10% deles. Aos 17 anos, 16% já haviam consumido. A metade dos que experimentaram, teve primeiro contato entre 14 e 15 anos. Entre os que já cnsumiram, 18% usaram todos os dias do mês anterior à pesquisa. Ou seja, estão viciados. O levantamento foi realizado em escolas particulares. Imaginem nas públicas!
Dos que fumam maconha, quase um em cada três já foi reprovado na escola (entre os que não fumam, 13%). Dos que fumam, 63% têm dificuldade em se concentrar (entre os que não usam, 48%); e 51% disseram ter dificuldade de entendimento (entre os que não, 35%).
Para o médico Joaquim Melo, presidente da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras Drogas, se jovens experimentam maconha cada vez mais cedo, ‘parte relevante ai evoluir para quadro de dependência química, com a adição de outras drogas, inclusive o crack’. Está em O Globo de 24/08/13. Quando crianças sentem que representam peso em casa, quando não têm irmãos para brincar, quando percebem que são ‘atiradas’ nas escolas para que os pais se vejam livres, não fica difícil entender porque buscam refúgio nas drogas. E as escolas de hoje parecem feitas sob medida para incentivar isso.
Gregório Vivanco Lopes
Advogado, colaborador da Agência Boa Imprensa