Natural de Fontíveros, Espanha, S. João da Cruz destacou-se como místico, poeta, teólogo e mestre espiritual. Influenciado por S. Teresa de Ávila, foi o pioneiro da reforma carmelitana masculina, sofrendo com isso incompreensões e perseguições. Fundou em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Deixou-nos importantes tratados de espiritualidade como A subida do Monte Carmelo, Noite escura da alma, Chama do amor vivo. Afirmava: é preciso cavar fundo em Cristo, que se assemelha a uma mina riquíssima, contendo em si os maiores tesouros; nela por mais que alguém cave em profundidade nunca encontra fim ou termo. Ao contrário, em toda cavidade aqui e ali novos veios de novas riquezas (cf. Liturgia das horas, v. I, p. 1.072).
S. Venâncio Fortunato
Venâncio Fortunato nasceu em Duplavilis, perto de Veneza, por volta de 530. Estudou gramática e retórica em Ravena. Era trovador e freqüentador das cortes, viajando por toda a Europa.
Influenciado por S. Radegundes e por S. Inês, decidiu deixar sua vida de trovador itinerante. Ordenado sacerdote, continuou compondo seus versos, legando-nos alguns dos cânticos da mais alta inspiração da mística cristã. Em 597, foi eleito bispo de Poitiers. Entre seus escritos mais conhecidos, temos o Vexilla regis e o Pange lingua, compostos por ocasião da chegada a Poitiers de uma relíquia da S. Cruz, enviada pela imperatriz Sofia de Constantinopla. Morreu por volta de 600.
ORAÇÃO
Do rei avança o estandarte
“Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da Cruz, onde por nós foi suspenso o autor da vida, Jesus.
Do lado morto de Cristo, ao golpe que lhe vibraram, para lavar meu pecado o sangue e água jorraram, Árvore esplêndida e bela, de rubra púrpura ornada, de os santos membros tocar digna, só tu foste achada.
Ó Cruz feliz, dos teus braços do mundo o preço pendeu; balança foste do corpo que ao duro inferno venceu.
Salve, ó altar, salve vítima, eis que a vitória reluz: a vida em ti fere a morte, morte que à vida conduz.
Salve, ó Cruz, doce esperança, concede aos réus remissão; dá-nos fruto da graça, que floresceu na Paixão.
Louvor a vós, ó Trindade, fonte de todo o perdão, aos que na Cruz foram salvos, daí a celeste mansão.
(Vexlilla regis, “Do rei avança o estandarte”, composto por S. Venâncio Fortunato).
Os cinco minutos dos Santos/J. Alves
São Paulo: Editora Ave-Maria, 2002.