08 de julho de 2026

Tragédias que se repetem


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É sempre a mesma história. Entre o final de um ano e o começo do outro, o País acostumou-se a acompanhar estarrecido tragédias envolvendo chuvas e o Estado do Rio de Janeiro. Por anos seguidos, sempre na mesma época, as tempestades causam estragos e ceifam vidas sem que nada de efetivo seja feito no decorrer dos meses anteriores para pelo menos tentar prevenir enchentes, deslizamentos e soterramentos. O que acaba ocorrendo, como na tragédia da região serrana do Rio, com mais de 900 mortos, em janeiro de 2011, é a transferência de dinheiro do governo federal e o montante não se mostra suficiente. No caminho, a verba serve para encher o bolso de corruptos e fica tudo como está.

Agora, o perigo volta a rondar o Estado do Rio. Afinal, obras emergenciais e de contenção acabam não saindo das promessas e do papel. O mesmo já ocorreu no Sul do País, onde ainda hoje há quem espere pelo socorro governamental, pelo menos cinco anos depois de que chuvas torrenciais deixaram mortos e desabrigados. Porém, não há ação realmente séria para tentar conter este tipo de tragédia. Buscam-se, antes de tudo, frases de efeito e discursos com promessas que visam apenas o voto nas urnas a cada eleição. Porém, de prático, nada mais é feito.

A cada acontecimento funesto, autoridades federais, estaduais e municipais apresentam soluções e prometem destinar dinheiro para tal. E fica por isso mesmo. Até a próxima chuva desalojar e matar cidadãos que sonham apenas com condições melhores de sobrevivência. Esse cenário só vai mudar quando os entes públicos deste País passarem a se preocupar de forma realista. Enquanto governantes e legisladores se preocuparem mais com os votos nas urnas e menos com os donos deles, estaremos fadados a repetir este tipo de notícia sempre nesta mesma época.

Entra ano, sai ano, nada é feito que realmente beneficie as populações que moram em áreas de risco. Agora, quando as primeiras chuvas já causaram a morte de pelo menos quatro pessoas -- e especialistas não descartam a repetição da tragédia de 2011, pela falta de investimentos na região serrana do Rio --, mais uma vez o governo federal destina uma vultosa verba para o Estado para tentar amenizar o sofrimento das vítimas. Como tudo o que ocorre no Brasil, remedia-se apenas. A prevenção nunca é considerada. E mesmo quando se remedia o prejuízo, há um bem maior irrecuperável: as vidas que se perderam.

Não podemos mais assistir passivamente esta situação. O brasileiro precisa deixar de encarar com naturalidade os desvios de dinheiro público que ocorrem diariamente em nosso País. Desvia-se de quem precisa. Roubam-se os mais necessitados, prejudicando aqueles que são menos privilegiados. Há uma série de projetos capazes de minimizar o sofrimento dos residentes em áreas de risco, mas quase nenhum ainda foi colocado em prática. Enquanto as obras de estádios de futebol forem prioridade, dificilmente haverá uma solução para aqueles que, a cada chuva, perdem tudo: casa, bens e, principalmente, familiares.

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