A morte do aposentado Orozimbo Teodoro Rodrigues, 79, pai do radialista da Difusora AM, Daniel Rodrigues, expõe mais uma vez os problemas que a saúde pública enfrenta no País. Certamente este não foi o primeiro e, a continuar a situação verificada atualmente, não será o último. Orozimbo enfrentava problemas pulmonares e não resistiu. Com estado de saúde bastante debilitado, em que pesem os esforços de sua família tentando a sua internação por quatro dias, ele só conseguiu a liberação na Santa Casa no meio da noite de terça-feira.
Não se sabe se a sua internação imediata seria capaz de salvar-lhe a vida. O que se sabe apenas é que criou-se uma situação bastante delicada e angustiante para a família. São fatos como este que expõem a desumanidade com que é tratado quem depende da saúde pública brasileira. As falhas no gerenciamento do SUS (Sistema Único de Saúde) aliadas aos desvios de verbas por entes públicos decorrentes da corrupção têm grande responsabilidade pelo que acontece hoje: hospitais sucateados, equipamentos obsoletos ou danificados e doentes espalhados por corredores e enfermarias inadequadas. Alguns passam dias no chão ou em macas, mesmo com doenças graves.
Especialistas garantem que o orçamento destinado à saúde pública no País não é suficiente mas é adequado para melhorar a qualidade do atendimento. Porém, como em todos os setores da administração pública brasileira, gasta-se mal. A ingerência política é um entrave para que se melhore de forma significativa a rede de hospitais e ambulatórios destinados ao atendimento de quem não tem condições de arcar com os custos de um plano de saúde particular. O fatiamento da máquina pública entre políticos aliados ao governo acaba por sobrepor os interesses particulares ao bem comum.
A falta de fiscalização dos investimentos em todos os setores, mas principalmente na Saúde Pública, permite que haja discrepâncias absurdas entre as verbas destinadas e o serviço efetivamente prestado. A falta de reajuste nas tabelas do SUS também compõe esta conta perversa, que sempre prejudica os menos favorecidos. Percebe-se que falta aos nossos administradores e legisladores um interesse maior para acabar com a indigência dos hospitais públicos.
Enquanto não se buscar uma maior eficiência no gerenciamento da Saúde Pública não será possível apresentar um serviço de qualidade. Além disso, a fiscalização rigorosa dos recursos aplicados e o acompanhamento minucioso dos procedimentos médicos também serão capazes de pelo menos mudar o quadro registrado agora, quando pacientes que contribuem para o financiamento do atendimento morrem à míngua, à espera de um serviço digno e com qualidade mínima. O que não pode perdurar é a constatação de que famílias acompanham a agonia de seus entes queridos à espera de atendimento médico. É hora de agir e buscar alternativas que livrem os brasileiros da agonia que atinge os familiares e amigos de Orozimbo Teodoro Rodrigues.