08 de julho de 2026

A Copa e o Brasil


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Sexta-feira passada aconteceu o penúltimo evento de todo o conjunto de atos que antecedem a realização de uma Copa do Mundo de Futebol. Foi o sorteio dos grupos. Depois de muita expectativa, trouxe certo alivio pela formação mais ou menos ‘equilibrada’ de cada um. A movimentação agora é pela conclusão das obras e entrega definitiva das arenas que tanto têm dado o que falar.

Parece que vamos deixar de lado, ou, pelo menos, incompletas, as obras de mobilização urbana, assim chamados os melhoramentos necessários a dar condições mínimas às vias públicas e sistemas de transporte para o deslocamento das pessoas que virão para assistir aos jogos. No entanto, não são melhorias na rede de vias urbanas para facilitar trânsito, o que causa preocupação. As condições pré-existentes estão aí nos 12 centros urbanos em que se realizarão os jogos e, no curto prazo que se dispõe daqui, até a abertura do certame, pouco se poderá fazer.

O grande desafio será, certamente, o dos deslocamentos intercidades. Estima-se que as delegações dos 32 países participantes da Copa enfrentarão - na fase de grupos - deslocamentos entre 726 quilômetros (Bélgica) e 5.588 quilômetros (Estados Unidos). Ai sim, os problemas são múltiplos, talvez os maiores. Vão desde condições operacionais de aeroportos, incluindo-se ai, desde a capacidade de recebimento de aeronave e infraestrutura da estação aeroportuária, até atendimento e conforto do viajante. No último fim de semana, os aeroportos de Congonhas e Cumbica enfrentaram caos com atrasos de voos e o descaso das empresas em solucionar. Convenhamos, é muita coisa para tão pouco tempo, embora soubéssemos, há anos, de nossas responsabilidades. Será um grande teste para nosso país. E será em todos os sentidos, da civilidade à economia, passando pela competência gerencial. Sem falar no futebol, é claro.

Vicente P. Oliveira
Economista - FEA-USP