09 de julho de 2026

'Socorro, me ajuda que eu não aguento mais', desabafa mãe


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Dona de casa do Jardim Redentor registrou boletim de ocorrência contra o filho drogado

Cansada e já sem esperanças, uma dona de casa de 44 anos, moradora do Jardim Redentor, registrou boletim de ocorrência contra o próprio filho, de 24 anos, viciado em drogas. Ela está há mais de dez anos tentando ajudá-lo a se livrar do vício e, no último domingo, resolveu denunciar o jovem. A atitude veio depois de o filho fazer um verdadeiro “limpa” em casa enquanto a mãe estava fora da cidade para um velório.

Segundo a mãe, que pediu para não se identificada, o rapaz levou desta vez um botijão de gás, roupas, pendrives, alimentos e perfumes que ela vende. “É muito triste. Ele levou tudo para o traficante enquanto sabe como a mãe dele vive (...) Não estou aguentando mais tanto prejuízo e eu não tenho onde lançar mão. Jamais imaginei que um dia ia parar aqui (no Plantão Policial) para fazer uma denúncia contra o meu filho. Não era isso que eu queria, não era isso”, disse ela, chorando.

Após elaboração do boletim de ocorrência, o rapaz foi liberado. A dona de casa implorou desde o início para ele dizer aonde estavam os objetos furtados. Depois de muita insistência, ele disse que buscaria uma das roupas, mas que precisava pagar pelo preço que havia vendido. “Ontem (domingo) ele me enganou. Disse que se eu tivesse R$ 50 ele trazia uma peça de roupa minha que vendeu. Eu dei o último dinheiro que tinha dentro da bolsa, mas ele disse que comigo não iria (buscar a roupa) porque eu estava do lado da polícia e que só iria se o vizinho o levasse. Acabei indo junto com ele e o vizinho e ele nos fez parar o carro longe, não deixou a gente chegar perto (do suposto lugar onde vendeu as roupas). Desceu e sumiu. Voltou à noite, drogado e com uma latinha de cerveja na mão.”

O sumiço de objetos pessoais e domésticos é rotina para a mulher que nunca havia denunciado o filho por, diversas vezes, deixar o sentimento materno falar mais alto. “Já faz uns 12 anos ou mais que nós estamos sofrendo com este menino. Deus sabe o que eu já passei por amor a ele. Já enfrentei uma roda de 30 pessoas que queria bater nele e até entrei em boca de fumo. Não durmo porque se escuto barulho de sirene de polícia ou de ambulância saio correndo no meio da rua achando que alguma coisa aconteceu com ele.”

Ameaça constante
A reportagem do Comércio esteve, na tarde de ontem, na casa dos envolvidos. Durante a entrevista, a mãe escutou um barulho e pediu licença porque precisava ver o que o filho estava fazendo. Segundo depois, começou a gritar do quarto dizendo que o filho estava furtando as coisas do irmão mais novo. “Moça, corre aqui, ele agora está roubando as coisas do irmão.” Em seguida, voltou com diversas chaves na mãe e pedindo ajuda. “Socorro, me ajuda que eu não aguento mais esta situação. Estou correndo risco de vida”

Justiça
O rapaz segue em liberdade. A dona de casa acredita que apenas uma nova internação não vai resolver o problema, pois o filho já foi internado diversas vezes e fugiu. “Se tiver como internar este menino, mas tem que ser uma internação de anos e anos. De um mês, dois meses não adianta. Ele fala que não vai roubar mais, que vai mudar, mas não muda. Acho que internar à força não adianta. É pior. Só que, por outro lado, estou vivendo ameaçada dentro de casa e ele me tirando o pouco que tenho.”

De acordo com o delegado Hélder Rodrigues, chefe do 5º Distrito Policial, o crime não é passível de prisão, mas outras medidas podem ser tomadas. “O filho dela furtando é isento de pena. Somente é punível quando o pai ou a mãe for idoso, ou seja, mais de 60 anos. Para ele não dá cadeia, mas para o receptador dá. Preciso conversar para orientá-la da melhor forma.”