A morte calou uma das vozes mais vibrantes contra o preconceito, seja ele de raça, cor, religião ou de gênero. O grande líder sul-africano Nélson Mandela deixa uma série de lições que se fossem seguidas em todos os cantos do Planeta, acabariam por tornar esse nosso mundo mais humano, menos violento e muito mais fácil para se viver. Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul e prêmio Nobel da Paz, teve uma trajetória bastante difícil mas soube transformar as adversidades e dificuldades em lições. Evitou transformar os revezes em revanche, cultivando a temperança e o diálogo para não transformar a sua nação em um barril de pólvora.
Nelson Mandela, que pregou a luta armada contra o governo minoritário branco que criou um regime de segregação na África do Sul, foi preso e condenado à prisão perpétua. Passou três décadas encarcerado e, ao sair, ajudou na democratização de um país fragilizado, onde as diferenças sociais entre brancos e negros eram profundas e deixaram marcas indeléveis. Tudo poderia se transformar numa verdadeira caça às bruxas. Porém, o grande líder buscou a conciliação e o entendimento que transformaram o país em uma nação emergente, longe de revanchismos e busca de culpados.
As homenagens que se seguiram ao seu falecimento reuniram desde líderes comunistas da China até de países democráticos, como EUA, Reino Unido e Brasil. A vida do sul-africano mostra que a intolerância leva a injustiças, mas que tudo pode ser resolvido pelo diálogo, em respeito à democracia. O revanchismo, que move governos de diversas tendências pelo mundo afora, é uma prática danosa e que provoca mais prejuízos do que benefícios à democracia.
Mesmo preso, Mandela nunca elevou sua voz e clamou por justiça. E nem se fez de mártir. Preso político que foi, não pediu a cabeça de seus algozes. Antes, buscou o entendimento. Por isso, merece ser ainda mais louvado e homenageado pela sua conduta de homem íntegro, ressaltando sempre a necessidade de que os menos favorecidos tivessem chances de estudo e saúde que redundassem em oportunidades de crescimento pessoal. Para ele, só o combate à miséria e à desigualdade será capaz de dar voz e vez para as classes mais pobres.
Num mundo onde as diferenças ainda são consideráveis, os exemplos deixados por Nelson Mandela deveriam ser parâmetros de conduta. Não só para os simples cidadãos, mas -- e principalmente -- pelas autoridades, nossos governantes que deveriam buscar, sempre, o entendimento. O debate de idéias é saudável, mas os conflitos que se tentam resolver com um claro confronto de forças acabam perdurando e penalizando quem não participa da administração pública. É preciso que os entes públicos, principalmente os detentores de mandatos eletivos, entendam a necessidade de união para o benefício comum, de todos, e não apenas de uma classe privilegiada. Mirar-se no exemplo de Mandela é primordial para que, pelo menos no Brasil, leis e projetos sejam pensados para quem espera, há anos, pela redenção: o nosso povo.