Na tarde de quinta-feira, 5, a mãe de Drielly, a sapateira Lucimar Aparecida Fortunato, 40, apesar de abatida, transparecia calma. Contudo, era apenas uma impressão. Desde a morte da filha, ela só passa à base de calmantes. Também não voltou à sua casa; permanece com uma irmã. Dois dias depois de enterrar a filha única, Lucimar recebeu o Comércio para falar sobre o atropelamento que tirou a vida de Drielly e o comportamento do motorista, que confessou que estava embriagado e fugiu sem prestar socorro à criança.
O que sentiu quando viu sua filha atropelada?
Só entrei em desespero, desmaiei na hora. Tive que tomar insulina na Santa Casa (ela é diabética). O que ele (o servente de pedreiro Aparecido Borges Teixeira, 51) fez foi desumano. Ele poderia estar tonto, mas tinha que ter socorrido. Sinto muita revolta mesmo, mas não quero fazer nada para prejudicar a vida dele. Só quero que ele vá preso, enquanto estiver viva vou lutar para que ele fique atrás das grades. É um absurdo (ele ter confessado e estar solto). Esse negócio de flagrante acho errado. Pra mim, confessou, mesmo uma semana depois, prende.
A senhora já está fazendo alguma coisa para isso?
Estamos planejando uma manifestação do local do acidente até a delegacia, provavelmente no próximo dia 15.
Como estão sendo esses primeiros dias após a morte da Drielly?
Estou tentando me recuperar. Não estou aguentando ficar sozinha, não estou comendo nem dormindo. Também pedi férias do trabalho. Ficava sempre com a minha filha, só a deixava para trabalhar. A gente brincava de boneca, cantava e dançava. Até dormíamos juntas, mesmo ela tendo seu quartinho. A gente não se separava de jeito nenhum. Ela era a estrela da família, e faz muita falta. No dia do acidente, ela tinha preparado um café da manhã para mim, pela primeira vez. Antes de comermos, ela fez a oração. Pra mim, foi como se ela estivesse se despedindo de mim, mas não percebi na hora.