10 de julho de 2026

24 motoristas atropelam, fogem e deixam as vítimas sem socorro


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A mãe de Drielly, Lucimar Fortunato, se emociona ao falar da filha morta após atropelamento

A morte de Drielly Vitória Fortunato Motareli, de 6 anos, abalou sua família e revoltou a população de Franca na semana passada. A garotinha estava brincando próximo à sua casa e foi atingida em cheio pelo carro dirigido pelo servente de pedreiro Aparecido Borges Teixeira, 51. Após atropelá-la, ele fugiu do local sem prestar socorro. Drielly foi socorrida por familiares, mas morreu na Santa Casa na segunda-feira, 2. Teixeira foi capturado pela polícia um dia depois, admitiu que estava embriagado, mas nem detido ficou. Foi liberado.

Apesar de absurda, histórias como essa não são raras em Franca e região. Um levantamento feito com base apenas nas notícias publicadas pelo Comércio apontou 24 ocorrências, somente neste ano, em que motoristas atropelaram alguém e fugiram sem prestar socorro - ou pelo menos tentaram fugir, porque em alguns casos foram impedidos pela população.

Ao todo, foram 27 vítimas, pois há casos em que mais de uma pessoa foi atropelada no mesmo acidente. Dez pessoas morreram. Oito dentre todas as vítimas eram crianças e adolescentes. O veículo mais presente nesses casos de omissões de socorro foi o carro (com 15 ocorrências); seguido pelas motos (com 6); em duas ocorrências, os veículos não foram identificados, e até mesmo um ônibus esteve envolvido em um dos acidentes (veja quadro).

Em que pesem os números alarmantes, os crimes não resultam em prisões e nem sempre os autores são localizados. Dos 24 casos, apenas nove dos responsáveis foram identificados, de acordo com as reportagens do Comércio. E, destes, somente dois foram presos. Na maioria das vezes, quando detidos, são liberados rapidamente. É o caso do motorista que atropelou e matou a adolescente Sara Cristina Souza, de 13 anos, em setembro deste ano. Na ocasião, o motorista, o empresário Márcio Adriano Pacheco, 31, tentou fugir, mas foi contido por populares. Ele aparentava sinais de embriaguez. O empresário chegou a ficar preso por 48 horas no CDP de Franca, mas depois foi liberado e responderá ao inquérito em liberdade. De acordo com o seu advogado, Márcio Cunha Pacheco, ele foi acusado pelo Ministério Público de homicídio doloso (quando há intenção de matar), mas a data da audiência ainda não está marcada.

De mãos atadas
O delegado responsável pelo caso de Drielly, Hélder Rodrigues, disse que a lei não permite que ele prenda o motorista em casos como o de Aparecido Borges Teixeira. “Existem duas possibilidades para uma pessoa ser presa. A primeira é por mandado judicial. A segunda é por flagrante, ou seja, ou ela está cometendo o crime ou é presa logo após cometê-lo. A princípio, o crime que ele cometeu é culposo, porque ele não teve intenção de matar, e crimes culposos não permitem prisão temporária. Para pedir a prisão dele, preciso estar com o inquérito concluído. No entanto, não descarto a possibilidade de indiciá-lo por crime doloso, por que (ao dirigir embriagado) ele assumiu o risco na produção do resultado, no caso, a morte da vítima.” O inquérito tem até 30 dias para ser finalizado.

O delegado considera elevado o número de 24 atropelamentos combinados com omissão de socorro registrados na região de Franca somente neste ano. “Essa atitude mostra a irresponsabilidade total do motorista, que foge por vários motivos. Um deles é a embriaguez, em outras, a pessoa não tem habilitação ou mesmo caráter e age desta forma.”

Trauma
O coordenador do Samu de Franca, o médico Rogério Ribeiro, ressaltou a importância do socorro rápido às vítimas de acidentes de trânsito. O médico disse que o acidente, para a vítima, é traumático. “O corpo, que está funcionando de uma forma cíclica e correta, é alterado pelo acidente. No momento do trauma, pode haver hemorragia cerebral ao se bater a cabeça, perfuração do tórax por uma das costelas e rompimento do baço, que vai sangrar dentro do paciente e levá-lo ao choque.”

Ribeiro disse que, se o paciente chegar ao hospital nos primeiros dez minutos após a ocorrência, a chance de sobrevivência é bem maior. “Se o motorista foge e o paciente fica no local do acidente, perde-se tempo para o socorro. Perdendo tempo, perde-
se a vida.”

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