A cada novo capítulo, a história humana prova que uma das grandes “mães” da criatividade é realmente a necessidade. Atualmente, se tornou comum ver as pessoas resolvendo de forma criativa problemas tanto simples como aparentemente insolúveis. Isto prova que se o indivíduo se permitir não há limites para o potencial criativo.
Na Escola Técnica “Doutor Júlio Cardoso”, a Industrial, permissão e criatividade são palavras de ordem. A necessidade, aliada a outros fatores, tem sido um verdadeiro acelerador - e eficaz - para invenções curiosas e funcionais. Lá alunos e professores olham para aquilo que todo mundo percebe de um jeito e o imaginam de uma forma completamente nova.
Como prova disso, o quadro negro usado para marcar a pontuação dos jogos que acontecem na escola está com os dias contados. Um projeto interdisciplinar do curso técnico em eletrônica desenvolveu um placar eletrônico que será o responsável pelo controle das pontuações na quadra da instituição. Como diversos outros projetos, este também surgiu para atender uma necessidade da escola, com o auxílio da eletrônica, e ainda proporcionar aos alunos a prática dos conteúdos ensinados em aula.
O placar da Escola Industrial marca os pontos, os sets e possuiu cronômetro regressivo que, segundo o professor do curso, Geraldo Ramos de Lélis, é a parte mais complexa de ser programada. “Uma ideia inicial que a gente passa para eles enxergarem o cronômetro regressivo é a montagem de um simulador de micro-ondas. Grande parte dos alunos chegam sem nenhuma noção de programação, então partimos do programa mais simples como, por exemplo, acender um led.”
As quatro turmas do curso tem parcela de contribuição no projeto que está praticamente concluído. O próximo passo é migrá-lo para um grande display (painel que apresenta as informações) e fabricar a “caixa” onde ele será colocado. Ambos serão do tamanho dos relógios, que também marcam a temperatura, instalados nas praças e rotatórias da cidade. É possível que o placar receba ainda alguns incrementos para ser acionado por controle remoto. Isto depende de um outro projeto que já começou a ser pensado pelo coordenador do curso, André Guaraldo, em conjunto com o professor Geraldo.
Sem grama
Enquanto isso, os demais projetos não pararam e a simples necessidade de cortar grama atiçou ainda mais a criatividade do professor do curso de mecânica e mecatrônica Herbet Ferreira que orientou seus alunos no desenvolvimento de um cortador de grama movido, principalmente, a água. “A ideia do projeto surgiu no dia em que fui ver o preço para comprar um cortador de grama. Propus para os meninos pesquisarem e lógico que precisava de um produto que fosse barato. Conseguimos fazer um trator com um custo bom e 30 vezes mais reforçado que um comprado. O trator de grama normal não arrasta um carro e com o nosso é possível.”
O trator foi todo montado com materiais recicláveis e o reator de hidrogênio que o move funciona com o princípio da eletrólise (reação química que separa as moléculas presentes na água, transformando H2O (l) em HHO (g)) e substituiu totalmente o uso do etanol ou da gasolina, diminuindo as emissões de poluentes atmosféricos. Para otimizar a produção, a água que passará pelo reator deve conter um catalisador. Neste caso é utilizado a soda cáustica. “Esta solução ácida que produz a condutibilidade elétrica. Usamos 7% de soda em 5 litros de água. Pelos nossos cálculos, isto dá 42 horas de funcionamento”, calculou o professor.
O cortador de grama da Industrial foi desenvolvido durante todo o ano e para sua conclusão falta apenas terminar a produção da lâmina, a pintura e capô.