08 de julho de 2026

Triste evasão


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MEC (Ministério da Educação e Cultura), criou grupo para estudar evasão escolar nos institutos federais. O TCU (Tribunal de Contas da União) tinha auditado a rede federal de educação profissionalizante, científica e tecnológica, formada por 38 institutos federais, e apontou evasão de 24% dos alunos matriculados nos cursos do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos (Proeja), além de 19% nos cursos médios subsequentes. Deu ao MEC, 180 dias para apresentar um plano de ação. É ação tardia. Um grupo integrado por gente da Setec terá que elaborar relatório de índices de evasão, retenção e conclusão para cursos profissionais e tecnológicos, um manual de orientação para combate à evasão, incluindo o diagnóstico de aluno ingressante com propensão à evasão, identificação de causas e utilização de monitorias, tutorias e reforço escolar. E, se já não bastasse, o MEC divulgou ter um déficit de quase oito mil professores e de mais de 5,7 mil técnicos de laboratório no primeiro semestre, o que corresponde, respectivamente, a 20% e 24,9% do quadro.

Isso está generalizado em todo o país e reflete a desvalorização do professor. O Brasil está em penúltimo lugar dentre países que mais valorizam seus mestres. A pesquisa é da Fundação Varkey Gemss. Outro problema é a formação dos docentes. Pesquisa apresentada no Conselho Nacional de Educação, um estudo comparativo sobre a organização do currículo brasileiro e a de outros oito países — Austrália, Cuba, Chile, Estados Unidos, Finlândia, Portugal, México e Nova Zelândia — afirma que o Brasil não define bem o currículo da educação básica, e tem muitos professores mal formados com autonomia total para escolher conteúdos de aula. Como se vê, a solução da Educação no Brasil não depende necessariamente de mais verba, mas de ações corajosas.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)