A desempregada Rosemary Maria da Silva foi presa ontem pelos policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Ela estava com a prisão preventiva decretada pela Justiça por ter matado o marido queimado após uma discussão. Passará o aniversário e o Natal na cadeia. Mãe de seis filhos, a acusada completará 38 anos no dia 24.
O crime aconteceu no dia 10 de setembro dentro de um barraco no Jd. Guanabara. Viciados em drogas e álcool, Rosemary e Valdir Rodrigues de Souza, 45, tinham um histórico de violência. Naquela tarde, o casal voltou a brigar. Por volta das 17 horas, a teria mulher saído de casa, ido até um posto e comprado R$ 0,40 de álcool. Segundo a polícia, ela retornou logo depois com um copo, jogou o líquido no marido, riscou um palito de fósforo, ateou fogo e fugiu.
Valdir se jogou na terra para apagar as chamas. Um homem que passava pelo local chamou os bombeiros. Com 80% da parte frontal do corpo queimada, ele morreu três dias depois. Enquanto ainda estava internado, Rosemary foi visitá-lo e disse que estava com dó dele. Chegou a ser detida e liberada em seguida.
Com a conclusão do inquérito, a polícia pediu sua prisão preventiva pelo fato de não possuir residência fixa e por oferecer perigo caso continuasse em liberdade. O mandado foi expedido pela Justiça e cumprido ontem pelos investigadores Paulo Sérgio e Luciano Tavares na região da Vila Gosuen.
Durante depoimento na sede da DIG, Rosemary confessou o crime e alegou ter agido em legítima defesa. “Era ele ou eu. Ele tacou álcool em mim, mas consegui sair de perto. Puxei a garrafa e taquei nele. A gente brigava sempre. Ele me batia demais. Foram oito anos só de briga”. A mulher disse ter se arrependido e chorou durante a entrevista ao Comércio. Ela aparenta ter mais do que os 37 anos, reflexo do consumo de drogas. Disse ainda à reportagem que vinha ingerindo etanol tamanha a sua dependência.
Após ser autuada na delegada, Rosemary foi conduzida à cadeia do Jardim Guanabara. É provável que aguarde presa ao julgamento. “Acredito que ela ficará recolhida, pois já tivemos dificuldade para encontrá-la. A motivação do pedido de prisão foi, justamente, por ela não ter endereço fixo, além é claro do grave crime que cometeu”, comentou o delegado Márcio Garcia Murari, responsável pelo setor de homicídios da DIG.
O promotor Odilon Nery Comodaro denunciou Rosemary à Justiça por homicídio com a qualificadora de meio cruel pelo emprego de fogo. A pena prevista em caso de condenação vai de 12 a 30 anos de cadeia.