É provável que alguns dos que me honram com a leitura tenham visto na internet a história de Nobuyuk Tsujii, pianista e compositor japonês de 25 anos, cego e portador de Síndrome de Down.
Com apenas dois anos, começou a tocarJingle Bells, inexplicavelmente, em um piano de brinquedo, depois de ouvir a mãe cantarolando a melodia.
Aos sete anos ganhou, no Japão, seu primeiro prêmio em reconhecimento a seu talento.
Sucederam-se outros em apresentações nos Estados Unidos, França, Rússia, dentre outros.
Claro que, por ter nascido cego, não lê partituras. Toca de ouvido melodias dificílimas que deixariam Paganini e Liszt extasiados.
Em apresentação nos Estados Unidos, que pode ser vista e ouvida na Internet, tocou Hammerklaiver Sonata nº 20 e levou a plateia às lágrimas.
O diretor e crítico musical John Giordano, estupefato, exclamou: ‘Para qualquer pessoa é extraordinário. Mas, para alguém que aprendeu de ouvido, é incrível’.
Eu e minha esposa estivemos em apresentação dele e nos emocionamos.
Estou certo que qualquer um, mesmo que, como eu, não seja ‘expert’ em música clássica, viverá essa agradável sensação e reforçará a convicção da imortalidade da alma e da presença do Grande Arquiteto do Universo em nossas vidas.
Algumas vezes, em elocubrações pessoais, me indago: como explicar fenômenos como esse, abstraindo-se completamente da existência de Deus?
Reafirme-se que se trata de pessoa que nasceu cega e com Síndrome de Down, duas ocorrências que limitam muito as atividades normais. Concluo, certo de que a ciência, para explica, terá que descer de seu pedestal e aliar-se à religião, sob pena de ver suas ações baldas e vãs. Ademais, julgo serem conciliáveis a ciência e a religião. Podem e devem caminhar juntas, sempre com a recomendação de que fé não pode ser cega e ciência não pode ser insensível.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca