Torna-se cada dia mais evidente que existe carência de homens públicos interessados em resolver uma série de problemas que trazem luto para famílias e perturbam, por sua violência, o dia a dia de quem trabalha e cumpre a lei. Hoje, no Brasil, uma legião de criminosos nem chega a ser presa, delinquindo sem nenhum temor de que venha a ser presa, julgada e condenada. E enquanto o Congresso Nacional discute a duplicação da pena para motoristas que trafegam bêbados, eles continuam atropelando, matando e fugindo, protegidos por leis frouxas.
A morte da pequena Drielly Vitória Fortunato Motareli, de apenas seis anos, expõe claramente as falhas do Código Penal Brasileiro. A garotinha foi atropelada pelo servente de pedreiro Aparecido Borges Teixeira, 51. Ele confessou ter bebido antes de pegar o veículo e atingir a menina que brincava em frente à casa de sua tia, no Jardim Luiza II. A chamada presunção da inocência, que permite a suspeitos responderem por seus crimes em liberdade, é um instrumento cruel. No caso de Drielly, pior ainda. Acontece que Aparecido Borges confessadamente bêbado, colheu a menina em cima da calçada e fugiu, deixando-a estirada ao solo com múltiplas fraturas. Ela morreu horas depois. Ele nem socorreu a menina, nem se apresentou à polícia. Só foi descoberto graças a investigações da equipe do 5º Distrito Policial.
Então, em casos do mesmo tipo, não se pode dar a presunção da inocência. Pois se antes de dirigir ele se embriagou, claramente assumiu a possibilidade de matar ou morrer. E, depois, ao fugir, mostrou plena consciência da ilegalidade que acabara de cometer. O que nos falta são legisladores que tenham a coragem de lutar pela aprovação de uma regulamentação da lei que não permita benefícios aos que tiram a vida de inocentes. Nos últimos meses vários casos semelhantes a este (recentemente, outra criança morreu por causa da irresponsabilidade de um motorista) causaram comoção na cidade e em nenhum deles o responsável ficou preso.
Não estamos aqui para defender penalidades extremas ou capitais. Mas o que a família de Drielly e as das outras vítimas de motoristas bêbados e covardes esperam é que haja justiça. Não se pode conceber que vidas sejam ceifadas, futuros abortados e esperanças extirpadas por causa de uma combinação perversa, como bebida e volante. Quem mata tem que ser preso, julgado e condenado com rigor, mesmo que não tenha portado uma arma, no sentido literal da palavra. Quem dirige bêbado, conscientemente já sabe que pode transformar o veículo em uma arma poderosa.
Nestes casos, quem provoca a morte de transeuntes, especialmente de crianças, idosos e pessoas com algum tipo de impedimento ou limitação, não os socorre e foge, não merece receber os benefícios que a lei destina a quem se dá o benefício da dúvida. Afinal, caso não tivesse sido preso, Aparecido Borges Teixeira dificilmente teria se apresentado para prestar esclarecimentos: foi detido dentro de casa, depois de investigação policial, dois dias após o fato, após ampla divulgação nos meios de comunicação. Se agiu como um criminoso, deve também ser tratado como tal. Nada mais justo.