Segundo a lenda, os Reis Magos levarão ouro, incenso e mirra para o Menino Jesus, e chegarão à Belém dia 6 de janeiro. É parte da comemorações do nascimento de Cristo. As presenças deles representa fé nas instituições cristãs, e gratidão. Neste fim de ano de 2013, crentes acreditam que haverá também, grande cesta de presentes de outra natureza para o Brasil, sob nossa árvore de Natal: estagnação econômica, déficit na balança de pagamentos, pressão inflacionária e desequilíbrio fiscal. Triste realidade.
Começamos o ano pensando em ter crescimento do PIB de 3%, mas nos daremos por satisfeitos caso consigamos chegar a 2%, com o setor industrial, outrora o mais dinâmico da economia brasileira, capengando. Oxalá o agronegócio repita o bom desempenho que vem mostrando nos últimos anos.
O desequilíbrio fiscal se agrava ano após ano. As despesas de custeio aumentam de maneira acelerada e quase não sobra recursos para a formação de capital. Estamos com dificuldades para conseguir o superávit primário. Exportando menos e importando mais, outubro registrava déficit na balança comercial, da ordem de US$ 2 bilhões. É verdade que temos reservas estimadas em US$ 370 bi, mas reservas são reservas e o dever das autoridades é preservar, colocá-las a serviço do desenvolvimento e, se possível, faze-las crescer. Saldo na balança de pagamentos, taxa de câmbio e juros são variáveis interligadas.
A pressão inflacionária é o pior dos ‘presentes’, pois, como diz conhecido ditadom ‘empobrece a quem recebe’. A taxa Selic já está em 10% (voltamos aos dois dígitos!), mas os preços continuam aumentando. A pequena liberação de preço de combustíveis para as refinarias já chegou — e rapidamente! — ao consumidor. Aqui, o problema não é apenas de reajustes, mas assegurar viabilidade à indústria do etanol. Haja espaço e disposição para lidar com esse pacote de presentes!
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP