O arsenal de recursos utilizado pelo presidente do Legislativo francano, Jépy Pereira (PSDB), para garantir sua reeleição, que vão da cessão de cargos na mesa diretora à oferta de uma festa para os colegas, tem uma explicação: facilitar sua defesa nas investigações abertas pelo Ministério Público. A manutenção na Presidência da Câmara Municipal, para Jépy, seria a maneira mais fácil de conseguir elementos para escapar de eventuais condenações.
A estratégia foi revelada nesta segunda-feira por vereadores a quem Jépy vem pedindo apoio. “Essas informações de processos não são surpresa. Inclusive, quando o Jépy procurou a gente pedindo apoio para sua reeleição, ele usou essa situação justamente para convencer a maioria dos vereadores do interesse dele em se manter presidente para poder estar esclarecendo e respondendo a esses processos”, disse o vereador Pastor Otávio (PTB).
Outro vereador que pediu para não ter seu nome revelado confirmou a estratégia. “Realmente, isso aconteceu mesmo. Ele pediu nossa ajuda para poder se defender. O caminho para isso seria a Presidência.”
A vereadora Valéria Marson (PSDB), que é adversária declarada de Jépy na disputa pelo comando do Legislativo, também confirmou que o atual presidente já havia revelado a alguns vereadores a existência das investigações. “Ele tinha comentado sobre esses processos, mas não nos deu detalhes nem falou da gravidade dessas acusações.”
Nas últimas semanas, Jépy não tem poupado esforços para convencer seus colegas de Câmara Municipal a votar em seu nome para a escolha daquele que dirigirá o Legislativo Municipal no próximo ano. Até uma festa em sua chácara, com o pretexto de comemorar seu aniversário no último dia 18, Jépy ofereceu a vereadores e assessores para tentar angariar simpatia e, consequentemente, votos.
Apoio abalado
Com a divulgação e a repercussão negativa das acusações junto à população, a estratégia do tucano corre o risco de não dar certo. Antes, Jépy contava com, pelo menos, oito votos declarados. Ontem o Comércio ouviu 14 dos 15 vereadores (apenas Nirley de Souza, do DEM, não foi localizado). A grande maioria (nove dos 14 ouvidos) considerou as acusações contra Jépy “sérias” e disse não ter definido seu voto. “São muito graves. Precisam ser apuradas pelo Ministério Público. Essas investigações colocaram os vereadores em uma encruzilhada. Agora precisamos pensar no que vamos fazer”, disse Luiz Cordeiro (PSB), que era cotado para ocupar a 1ª Secretaria da chapa encabeçada por Jépy.
Apesar de toda a polêmica, o presidente da Câmara disse que não pretende desistir da reeleição. “Estou tranquilo. Muitos vereadores disseram à imprensa que não sabem em quem vão votar, mas me ligaram depois garantindo apoio. Dois presidentes de partidos também fizeram o mesmo. Então, estou confiante”, afirmou Jépy (leia mais em texto nesta página).
A eleição para a presidência da Câmara acontece nesta quinta-feira, dia 5. Além de Jépy, Valéria Marson também já se lançou candidata. Hoje estão previstas diversas reuniões entre as bancadas para definir se haverá um novo nome na disputa ou se o apoio a Jépy Pereira será mantido.