09 de julho de 2026

Polícia prende acusado de torturar bebê que teve 7 costelas quebradas


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A delegada Graciela de Lourdes Ambrósio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), pediu a prisão do acusado há seis meses

Policiais militares da Força Tática prenderam, na tarde do último domingo, o acusado de ter torturado uma bebê de sete meses. Yhago Henrique Andrade, 18 anos, estava foragido desde maio, após sua namorada e mãe da criança, de apenas 15 anos, confessar à delegada Graciela Ambrósio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), ter espancado a filha com a ajuda do namorado. O motivo alegado foi o comportamento ciumento do ex-namorado e pai do bebê. O acusado foi detido, após denúncias, na casa de familiares no Jardim Martins. Segundo policiais militares, Yhago chegou a resistir à prisão e tentou fugir, em vão, pulando os muros de casas vizinhas.

Desde a denúncia, o acusado alega inocência. Ao ser capturado, afirmou que a - agora - ex-namorada agredia a filha com frequência. “Tenho provas de que ela batia na criança. Eu não cheguei a ver, mas muita gente já viu isso daí. Meu primo viu ela soltando o carrinho na descida com a menina. Foi ela que bateu, tenho certeza, se não tinha achado marca de dedo ou alguma coisa minha.”

De acordo com Yhago, a ex-namorada o acusou porque foi obrigada e comprada pelo pai. “Ela falou para mim que foi o pai dela que a obrigou a me acusar. Ela ganhou roupa, tablet, celular para mentir e jogar a culpa em mim. Eu estou pagando por uma coisa que eu não fiz. Eu nem sei mais o que fazer. Fiquei escondido para ninguém me achar e não dar problema para mim. Tenho tudo limpo, nunca fiz nada de mal para ninguém e vem falar que eu fiz uma barbaridade dessas.”

O Comércio entrou em contato com o pai da adolescente, mas, ao saber que se tratava de uma reportagem, não quis se pronunciar e desligou o telefone que permaneceu na caixa postal até o fechamento desta edição.

O processo
Com a prisão de Yhago, o processo deve ser retomado. De acordo com o promotor do caso, Ivan Nascimento de Castro, nenhuma audiência foi realizada até agora porque o acusado estava foragido. “Imagino que (o juiz) estivesse aguardando a prisão. Então, agora dará a sequência, abrindo prazo para defesa de advogado e depois tem a instrução do processo. Podemos dizer que agora o processo está começando, porque dependia dessa prisão.”

O pedido de apreensão provisória (como se denomina a prisão preventiva de menores) da mãe da criança, também solicitado pela delegada Graciela, foi negado em junho pelo juiz da Infância e Juventude, José Arimatéa Rodrigues. Mesmo assim, o magistrado acatou a denúncia feita pelo Ministério Público e abriu um processo criminal contra a adolescente, que corre em segredo de Justiça.

A criança
Por conta da agressão, a criança teve sete costelas quebradas e diversas escoriações. Como demoraram a procurar socorro médico, a bebê ainda desenvolveu uma pneumonia que a levou a ficar internada 13 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Pediátrica e precisou da ajuda de aparelhos para se alimentar e para respirar. Depois de receber alta, sua guarda foi concedida temporariamente, por indicação do Conselho Tutelar, a uma prima da adolescente, que é madrinha da bebê.

O Conselho Tutelar não retornou às ligações da reportagem na tarde de ontem, mas segundo o pai da criança, ela ainda está com a madrinha e já se recuperou totalmente da tortura. “Ela está bem e, graças a Deus, se recuperou. Vi ela umas três vezes depois do caso, porque está difícil encontrar a madrinha. Eu ligo e ela não atende o telefone, mas sei que ela está bem. É uma menininha forte.”