Com a crescente concorrência de outros estados e também de países, o Interior Paulista precisa se preparar, da melhor forma, para receber novos investimentos. É o que disse o diretor da agência Desenvolve SP, Júlio Themes, quinta-feira, 28, na capital paulista, a um grupo de gestores municipais. O presidente da Investe São Paulo, Luciano Almeida, também enfatizou a importância de os municípios se tornarem “atrativos” para os investidores. Do que eles estão falando e por que esse assunto vem sendo enfatizado nos discursos das duas agências oficiais paulistas, responsáveis por investimentos, competitividade e fomento empresarial no Estado de São Paulo?
Todo prefeito quer atrair empresas, alguns desesperadamente ao enxergar a limitação da receita local. As demandas crescem em sintonia com a pressão popular por melhorias em saúde e na infraestrutura das cidades. Atrair indústrias, comércio e prestadores de serviços significa gerar mais impostos e abrir empregos, frentes que se revertem em ciclos que retroalimentam a riqueza e a qualidade de vida. A globalização cria novas chances nos mercados regionais e os municípios — poder público e lideranças empresariais — precisam conhecer a fundo e se atualizarem com o processo de atração de investimentos globais. Mas nem todos os municípios estão preparados para a competição em escala internacional.
Muitas regiões concentram negócios por vocação histórica, mas as novas oportunidades vão aparecer somente para aqueles que exercerem planejamento, foco, marketing e visão de futuro. Uma das ações do governo do estado nesse sentido é uma série de cursos com prefeituras do Estado para tratar de investimentos e competitividade. Na quinta-feira, no 19º encontro do gênero, participaram Boa Esperança do Sul, Boituva, Brotas, Diadema, Estrela d’Oeste, Luís Antônio, Nazaré Paulista, São Carlos, São Paulo, São Roque, Tatuí e Taubaté.
Não é esse o único caminho para a qualificação. Mas o tema em evidência sinaliza o que muitos gestores locais não podem mais ignorar -- o mundo mudou e os municípios não podem ficar à espera que as empresas batam às portas das prefeituras. É preciso “vender” a ideia de investimentos, articular o processo e assegurar condições sustentáveis para a instalação e a permanência das empresas, especialmente no caso de grandes indústrias. A crise pode ser sinônimo de oportunidade e o campo está aberto para quem estiver mais preparado aos sinais.
Informação pública: O projeto de lei 68/2013, que procura facilitar e garantir o acesso de toda pessoa à informação pública disponibilizada por meios eletrônicos por órgãos da administração pública estadual, foi finalmente aprovado pela Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa na quarta-feira, 27. Está pronto para ser votado em plenário. O projeto é do deputado Geraldo Cruz (PT). “É grande a dificuldade enfrentada em conseguir, por meio da internet, dados de diversos órgãos públicos estaduais”, diz ele, lembrando que já está em vigor lei federal que garante ao cidadão o acesso pleno à informação pública. O projeto de Cruz procura normatizar a forma como as informações desses órgãos da administração pública devem ser apresentadas, “deixando transparentes e de fácil acesso os dados a toda sociedade”. O projeto foi apresentado em fevereiro e passou pelas comissões de Constituição, Justiça e Redação, de Administração Pública e, agora, pela de Finanças e Orçamento. Não existe previsão para ser votado em plenário. É bom lembrar que os partidos já vivem o clima pré-eleitoral e que na Assembleia a bancada petista puxa a minoria de oposição ao governador. Se a bancada majoritária governista (liderada pelos tucanos) interpretar algum viés político no projeto, a ideia ficará para 2015.
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br