09 de julho de 2026

Crianças adultas


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Na uma de suas colunas semanais na Folha de S. Paulo, a psicóloga Rosely Saião, ponderando sobre a atual educação infantil, disse que pais e educadores estão tirando dos infantes o direito, primordial, de serem crianças. É que se padroniza nas famílias modernas uma realidade mais prática do que educativa.

Pais, fazendo da escola um meio, anseiam pela habilitação precoce de seus filhos, parece, com vistas à competição no mercado de trabalho, ou ao destaque social ou esportivo.

Antes mesmo de aprenderem a andar, as crianças são levadas para creches (ou escolas), onde são submetidas a incontáveis tarefas e menos ludismo.

São aulas de balé, música, computação, pintura, artesanato, línguas estrangeiras, além da prática de esportes, conquanto muitas se reconheçam importantes.

Onde e quando brincarem de pique, subir em árvores, pular amarelinha, soltar pipa, rodar pião, jogar bolinha de gude e, participarem de atividades que possam congraça-las, e, em função disso, permitir-lhes o crescimento pessoal e ganho de experiências que disso deriva?

Infelizmente, a razão assiste os que afirmam que os tempos sãos outros e que a prole depende do trabalho do casal, assim como, justifica-se, preocupação com a violência nas ruas.

Mas, não estaremos gerando violência, ao tempo em que sucumbimos à pressão midiática do consumismo, esquecendo o principal? Será racional suprimirmos fase tão importante da vida dos nossos filhos?

Que lhes apliquemos os recursos salutares do modernismo, mas não nos esqueçamos de que é aos pais e responsáveis que compete educar e fazer que suas crianças se realizem integralmente como pessoas.

De que adiantará forçar as crianças a adquirir habilidades para a vida, se se lhes negam as condições básicas de serem naturalmente felizes?

Cabe lembrar o que disse Jesus: ‘Deixai que venham a mim as criancinhas. Não as impeçais!’.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca