A constatação de que 27% dos brasileiros com mais de 60 anos ainda trabalham, sendo que a maioria deles já está aposentada e recebe benefício oficial, causa desconforto diante de certos fatos que ocorrem no Brasil. O levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta para uma situação que, enquanto proibida, era levada numa certa informalidade. Depois que a lei brasileira passou a permitir que aposentados por tempo de serviço pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) permanecessem no mercado de trabalho com carteira assinada, as estatísticas oficiais mostram que só cresce este movimento.
Hoje, em vez de se aposentar com salário integral, seja por tempo de serviço, por idade ou por invalidez, o trabalhador brasileiro é submetido ao fator previdenciário (corresponde à média aritmética simples dos 80% maiores salários de contribuição, corrigidos monetariamente desde julho de 1994) que achata seus vencimentos. E ele se vê obrigado a retornar ao mercado de trabalho. Uma série de profissões permite isso. Mas há casos em que o aposentado não consegue mais manter a vitalidade exigida pela função e acaba por se submeter a subempregos (ou ‘bicos’), pois precisa manter o padrão de vida. Muitos não conseguem e são empurrados para a indigência.
Assim, causa estranhamento o pedido do deputado aposentado José Genoino, condenado à prisão por participar do esquema do mensalão. Seus advogados apresentaram pedido de aposentadoria por invalidez junto à Câmara dos Deputados, a qual permitiria que o hoje preso condenado mantivesse um salário mensal superior a R$ 27 mil mensais. Ou seja, enquanto o brasileiro precisa trabalhar mais de 35 anos para conseguir se aposentar, sofrendo uma queda brutal em seus proventos, Genoino pretende manter o seu salário integralmente. Lucidamente os médicos da UNB (Universidade de Brasília) que o examinaram derrubaram a tese defendida pelos seus aliados. E uma junta médica da Câmara dos Deputados enterrou a hipótese de lhe conceder a aposentadoria, pelo menos por ora.
Além disso, diversas figuras foram beneficiadas com indenizações (muitas milionárias) e pensões denominadas ‘bolsas-ditadura’ pelo simples fato de terem sido ‘perseguidas’ pelos governos militares que comandaram o Brasil por vinte anos. Enquanto o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva teve direito a um benefício de R$ 5 mil(fora a indenização), por ter sido preso por um mês, a presidente Dilma Rousseff, que foi perseguida pelos militares (chegando a ser presa como terrorista), ganha pensão em três Estados do País, num valor que chega a mais de R$ 70 mil mensais.
Como eles, vários outros se beneficiaram, causando uma sangria nos cofres públicos que também afeta o direito do trabalhador brasileiro de se afastar de suas funções com salário digno, capaz de fazer frente às suas reais necessidades. São duas situações que hoje ocorrem e continuam penalizando quem trabalha, paga seus impostos e mereceria uma aposentadoria tranquila, sem precisar continuar trabalhando para se manter, quando as forças já não são as mesmas da juventude.