Um casal cruza a praça.
Levo susto.
- Meu Deus, é ela. É ela.
Os óculos, cujas lentes me parecem quadradas, mais o penteado diferente, desfiguram minha certeza.
- Parece ela... Que semelhança, meu Deus. Só pode ser ela.
O desejo de apagar dúvidas provoca a loucura: grito seu nome.
- Amaaada!
O rabo do olho me diz que o casal para por um segundo, olha indeciso para a esquerda, depois para a direita, dialoga, decide-se. Caminha em direção ao leste.
Baixo os olhos, observo pombos e pardais bicando migalhas que crianças e adultos espalham pelas alamedas.
Ergo o esqueleto cansado, caminho rumo ao poente esmaecido cada vez mais.
Os pés vacilam, mas o coração dá bicadas, tenta também sobreviver.
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras