Ao completar seus 189 anos de emancipação política neste 28 de novembro, Franca consolida sua posição de principal município da região Nordeste de São Paulo. Por isso mesmo, pela complexidade de todo crescimento, enfrenta diversos problemas que perturbam o cotidiano de seus moradores. Com perto de 330 mil habitantes (segundo censo do IBGE de 2010 eram 318 mil), a Terra do Capim Mimoso cresce e leva consigo as cidades da região. Muitas delas hoje se tornam satélites em razão das oportunidades de emprego e ensino propiciadas aqui.
A seguir o curso normal de evolução, dentro de 20 anos nosso município deverá chegar ao meio milhão de habitantes, expandindo-se vertiginosamente rumo às cidades mais próximas e à formação de uma grande região metropolitana. Por isso, nada mais importante do que trazer ao debate os problemas que precisam ser enfrentados antes de deixá-los maiores ainda para as gerações futuras. De acordo com o último censo do IBGE praticamente dois terços da população francana são formados por habitantes menores de 49 anos. Ou seja, uma comunidade relativamente jovem que precisa buscar soluções em curto prazo antes que a vida no espaço urbano se torne ainda mais difícil ou mesmo insuportável em futuro mais distante. Hoje nos deparamos com problemas sérios em pelo menos dois setores: no trânsito e na segurança pública. A necessidade de que a sociedade civil participe de discussões e debates capazes de apresentar soluções nunca se tornou tão evidente como agora.
Não é de hoje que o trânsito em Franca, principalmente nos horários de pico nas principais vias da cidade, se tornou agressivo, perigoso, hostil. Com vias estranguladas e uma frota de pelo menos 180 mil veículos particulares (entre carros, motos, motonetas e bicicletas), há que se buscar saída para que não se instale o colapso. Nestes casos, investir em transporte público tem sido o conselho de especialistas. Mas, por causa da própria dinâmica do serviço, parece tarefa inglória convencer as pessoas de que elas devem mudar seus hábitos e deixar o carro na garagem.
Quanto à segurança, a cidade vive o grande problema que tem afetado o País como um todo. O crescimento da criminalidade está atrelado ao avanço do tráfico e uso de entorpecentes, problema que cresce ainda mais por conta da leniência do Código Penal brasileiro. Se nada for feito em nível federal, dificilmente será possível propor ações de combate a esta praga. Mas os municípios devem estar atentos à criação de propostas que possam garantir maior segurança às pessoas de bem. Os dois desafios pedem coragem.
Franca cresce de forma rápida e surpreendente, conta com uma indústria pujante, um setor de serviços bastante atuante (maior força da economia local, conforme o IBGE) e instituições educacionais que ultrapassam as fronteiras do Estado. Tem tudo para continuar sua trajetória de sucesso, desde que se ataquem esses dois obstáculos, que na verdade redundam em um só: a violência. A hora é de ação. Caso contrário, corremos o grande risco de legarmos aos nossos descendentes, em futuro mais ou menos próximo, problemas que podem se tornar insanáveis.