Declarações do auditor Luiz Alexandre Cardoso de Magalhães, delator da máfia que, segundo o MP desviou R$ 500 milhões de impostos da Prefeitura de São Paulo, veiculadas no Fantástico, são tapa na cara dos brasileiros.
Enquanto o trabalhador luta para pagar suas contas, o aposentado sofre com achatamento sistemático de seus proventos e a classe produtiva é sufocada com astronômica carga tributária, o meliante confessa, em rede nacional, gastar em noitadas com prostitutas, de R$ 8 mil a R$ 10 mil roubados de cofres municipais. E irônico, sem constrangimento, diz não saber como restituir, pois não tem como ‘bater na casa das moças e pedir o dinheiro de volta’. Citou, ainda, que seus comparsas também tinham’compulsões’, pagas com dinheiro público.
Constatações como essa — e tantas outras surgidas em fraudes e desvios de dinheiro púbico — apontam para a necessidade urgente de regulação e auditoria em todo o circuito das finanças públicas, sem falar de crivo fino nos processos de admissão de funcionários — concursados ou não — que venham a participar do processo de arrecadação e pagamentos da administração pública.
Esses, desde a posse, devem abrir mão de seus sigilos bancário e patrimonial e aceitarem ser permanentemente acompanhados, assim como os processos sob suas responsabilidades. Só vigilância clara e oficial dará certeza de que irregularidades não passarão impunes, desencorajando já na origem, os malfeitos.
Junto ao aperfeiçoamento de controles da máquina estatal, faz-se necessário, ainda, apertar leis punitivas de corrupção.
Provada a prática, o autor deve ser trancafiado e só sair da ao término da pena que lhe for atribuída. Hoje, quem rouba milhões contribui para a periclitação da saúde, educação, segurança; continua em liberdade, mesmo que provisória, e se comporta como ídolo, ainda que às avessas. A sociedade precisa recolocar o país nos trilhos, urgentemente...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo