08 de julho de 2026

Nomeklatura e...


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Lenin definiu, na União Soviética, os atributos dos que poderiam ocupar cargos no governo: confiabilidade, atitude política, qualificações profissionais e habilidade administrativa, além, claro, de filiação ao Partido Comunista. A lista de candidatos chamava-se Nomenklatura. Até os anos oitenta, integrá-la significava ser elite poderosa, que decidia sobre vida ou morte e benefícios impossíveis aos comuns. Era, assim, classe social invejada, poderosa e organizada. Para ascender rapidão, o indivíduo tinha que ter padrinho, a quem, em retribuição, mantinha suas políticas. Isso garantia a homogeneidade da política de ferro e fogo soviética. A elite tinha, abaixo de si os “apparatchik”, indivíduos que desempenhavam tarefas de não liderança. Não eram especialmente habilidosos, pois suas nomeações atendiam interesses políticos. O resultado foi a caríssima, e quase inexpugnável burocracia soviética, repleta de puxa-sacos e que funcionava como Estado policial.

Mas, o que o mensalão tem a ver? É simples. Troque “União Soviética” por “PT” e “soviético” por “petista”. O modelo é o mesmo, elite com privilégios, apadrinhamento, indicações políticas, burocracia e um Estado cada vez mais ineficiente. Mas, diferente da União Soviética, na democracia há outros poderes, uma constituição. O resultado? Membros importantes da Nomenklatura petista foram condenados à prisão. Vê-los de braço erguido e punho cerrado na famosa saudação socialista, deixa seguidores assanhados, disparando para todos os lados. Têm, no entanto, que comemorar. Tivessem sido condenados naquela União Soviética, Cuba, ou Coréia do Norte, provavelmente Dirceu, Genoíno e Delúbio seriam despachados para um Gulag, ou fuzilados. O que pega que é aqui, logo estarão livres, tratados como heróis da resistência. No Brasil, ser Nomenklatura é moleza

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrantes, cartunista