Com preços atrativos e tendo a seu favor a comodidade, fica difícil frear o hábito do brasileiro comprar pela internet. De acordo com o site E-bit, que avalia a satisfação dos consumidores em compras online, o faturamento do e-commerce (comércio eletrônico) no Brasil no primeiro semestre de 2013 foi de R$ 12,7 bilhões, um aumento de 24% em relação ao mesmo período de 2012. Até o final do ano, o número de consumidores virtuais deverá chegar a 51 milhões. Com essa constatação, os comerciantes de Franca não tentam lutar contra as todas-poderosas lojas virtuais ou se queixar delas. Ao invés disso, tentam sobreviver ao triturador virtual que é a internet com estratégias variadas.
Alguns seguem à risca o ditado “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. É o caso da loja Game Mania, que já lançou o seu próprio site de vendas. “Hoje em dia, se você for ver, o mundo é a internet. Por exemplo, o PS4 (videogame da Sony) custa R$ 2,7 mil para lojas especializadas, e importando o videogame por sites como o Ebay, sai a uns R$ 2,2 mil, mesmo sendo taxado”, disse o gerente Josef Silva e Paula.
A proprietária da livraria Pé da Letra, Adriana Alvarez, também cogita lançar o seu próprio portal na internet, mas sem abrir mão das suas dependências físicas. “Estou tentando resgatar o hábito das pessoas irem até a livraria. Aqui, ela recebe um atendimento totalmente diferente do ato de comprar online. E nem todas as compras online têm sucesso. Faltando dois dias para o Natal de 2012, vieram para a livraria inúmeros francanos que haviam feito compras online e os livros não chegaram.”
Mesmo assim, a proposta de criar um site se faz necessária para Adriana manter seu negócio. “Os sites conseguem um preço mais baixo do que a livraria, porque eles não têm um espaço físico para manter. Tendo um espaço online, vou oferecer um preço diferenciado e, assim, concorrer com as outras lojas.”
Para outros lojistas, a diversificação dos produtos e serviços ofertados se tornaram a saída para tirar o consumidor da frente do computador e colocá-lo dentro dos seus estabelecimentos. Um exemplo é a Master Music, que também se beneficia das vendas online. “Os preços das lojas virtuais são muito melhores que os nossos. Hoje, poderíamos vender três vezes mais se não fosse o mercado online e a pirataria. Por isso que, de 15 lojas de CDs, só sobramos nós em Franca. Mas, temos um sistema legal que é o de encomenda. Os produtos que não temos aqui compramos pela internet e vendemos para o cliente. Os itens que pedimos chegam em uma semana comprando online, mas, pela gravadora, eles podem demorar até 20 dias”, afirma a gerente da loja, Ilza Malta.
Outra tática é variar o acervo: o estabelecimento deixou de vender apenas CDs e DVDs e agora oferta camisetas, livros, acessórios, eletrônicos e conta com uma seção especial com itens infantis. “Só com CDs e DVDs, não dá para sobreviver”, diz Ilza.
Há também quem veja a internet como a causa de um processo de segmentação, como o proprietário da Lapidin, Gustavo de Almeida. “As lojas físicas não vão deixar de existir. Mas, com o crescimento dos sites, quem quiser determinada marca vai comprar em determinado local, ou pela internet ou nas lojas. Daqui a algum tempo, haverá marcas que só poderão ser compradas pela internet. A gente está tentando desviar desses modelos que estão disponíveis online, para termos exclusividade.”
Concorrência
O economista Antônio Moraes Júnior associa a expansão do e-commerce diretamente ao aumento da concorrência. “Os comerciantes locais têm o mundo concorrendo com eles, o que causa uma queda nos preços. Algumas empresas, que estavam acostumadas somente com o mercado local, compravam produtos dos grandes centros para vender no interior, se valendo da dificuldade de adquirir esses itens. Hoje em dia não tem mais isso, ele (o lojista) tem que ter um preço competitivo”, disse.
O impacto das compras online é sentido com mais intensidade pelos pequenos comerciantes. O economista ressalta que eles têm poder de barganha menor junto aos fornecedores em comparação com uma grande rede online, que tem custos menores. “Isso pode provocar uma concentração de mercado”, analisa.