Hoje encerra-se o Ano Litúrgico com a Solene Festa de Cristo Rei. A Igreja Católica celebra, neste domingo, o encerramento do Ano da Fé. A festa de Cristo Rei nos oferece ensinamentos que nos ajudam a viver mais perto de Jesus. As leituras de hoje são IIº Livro de Samuel 5, Colossenses 1 e Lucas 23.
Primeira Leitura — IIº Livro de Samuel 5: A leitura narra que os anciãos das tribos do norte se apresentam a Davi na cidade de Hebron e lhe dizem: ‘Nós entendemos que Deus te escolheu como chefe não só de uma tribo, mas de Israel inteiro. Já anteriormente, quando Saul reinava, eras tu que nos conduzias contra os inimigos e conseguias que saíssemos vitoriosos em todas as batalhas. Considera-nos agora como teus súditos; nós somos ‘como tua carne e teus ossos’. Davi aceita e ele o fazem rei.
Quando Davi morre, tem, como sucessor, seu filho Salomão, que consegue manter unido o reino, mas, sem demora as tribos se separa, e Israel volta a ser um povo insignificante, objeto de escárnio de nações vizinhas. Reconstruir um dia o grande reino de Davi passa a ser o sonho dos israelitas. Por isso todos os dias imploram para que o Senhor envie o seu Messias, o Rei que dominará de um a outro mar, desde o grande rio até os confins da terra.
Segunda Leitura — Colossenses 1: Paulo se encontra prisioneiro em Roma e, da Ásia Menor, chega a Roma para visitá-lo Epafras, o apóstolo que fundou diversas comunidades daquela região. As notícias são alarmantes. Os cristãos se deixaram seduzir por estranhas doutrinas. Paulo escreve aos colossenses e lhes recomenda divulgar a carta também nas comunidades vizinhas. Começa entoando hino a Cristo. Na primeira parte, celebra a primazia de Cristo sobre toda a criação. Na segunda, proclama que Cristo é o primeiro na nova criação, porque foi o primeiro a vencer a morte e a abrir para todos, o caminho para Deus. Submeteram-se ao poder de Cristo os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades (misteriosos espíritos que iincutiam pavor no povo).
Os cristãos de hoje continuam tendo problemas semelhante. Não venceram o medo dos espíritos maus. Há ainda quem acredite em superstições, tabus, feitiços, e, por isso recorrem a rituais mágicos. São essas crenças compatíveis com a fé na vitória e no domínio de Cristo sobre todas as coisas?
Evangelho — Lucas 23: Os israelitas esperavam um grande rei. Sonhavam-no rico, revestido de mantos preciosos, forte, sentando em trono de ouro. No trecho de hoje nos é apresentada a resposta de Deus a estas expectativas. Estamos no monte Calvário, Jesus está pregado na cruz, tem ao seu lado dois ladrões e sobre sua cabeça está colocada uma inscrição: ‘Este é o rei dos judeus’.
Onde estão os sinais da realeza? Ele não domina do alto de um trono de ouro e está pregado numa cruz de madeira. Está diante de pessoas que o insultam. Não está vestido de roupas de luxo, está completamente nu. Não ameaça, pronuncia palavras de amor e de perdão; não obriga inimigos a beijar o pó, é ele que bebe vinagre. Ao seu lado não estão ministros, ou comandantes do exército, mas dois malfeitores. Que estranha realeza é esta de Jesus! A inscrição colocada na cruz proclama ‘Rei dos Judeus’ um homem derrotado, incapaz de se defender, destituído de qualquer poder.
Do alto da cruz, porém, Jesus indica a todos quem é o rei que Deus escolheu: é aquele que aceita a humilhação, é aquele que sabe que a única maneira de dar glória a Deus é descer ao último lugar para servir o pobre.
Este soberano que reina do alto da cruz nos perturba, porque define mudança radical nos caminhos da nossa vida. Exige, por exemplo, que ofereçamos o perdão sem condições a quem nos prejudica.
Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br