09 de julho de 2026

Praças já não são as mesmas


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Em meados do século passado, quando a tecnologia ainda engatinhava e poucos tinham televisão em casa, as praças públicas (muitas conhecidas por jardins) eram o principal espaço de lazer para a maioria da população. Muitas delas (e a praça da Estação é um exemplo bastante claro disso) abrigaram namoros, nascendo ali muitas famílias. Também eram os locais onde as crianças levavam os brinquedos que tinham ganhado no Natal. Enfim, acolhiam famílias e até políticos, pois nas praças aconteciam os comícios eleitorais já que ainda não existiam as propagandas de partidos e candidatos na televisão.

Hoje, pelo menos em Franca, estamos vendo, cada dia mais, as praças, principalmente localizadas em pontos mais afastados, se transformando em pontos de consumo e vendas de drogas, locais onde marginais de todas as idades se reúnem para consumir entorpecentes e tramar crimes. Agora, pelo menos três delas já são cenários de assassinatos: em menos de dois meses, três pessoas foram mortas em praças públicas de Franca. Antes local de encontro, festa e lazer, as praças públicas passaram a ser abandonadas por aqueles que são a razão de sua existência: os francanos. Como bem explicita reportagem publicada ontem pelo Comércio, os espaços agora são temidos pelos vizinhos, que se sentem inseguros e amedrontados com a violência na porta de casa.

Fica patente que a Segurança Pública não consegue cumprir a sua função. Embora a Polícia Militar conte com um contingente considerável, percebe-se que não há homens e viaturas suficientes para que as praças públicas sejam melhor patrulhadas e cuidadas. Porém, algo precisa ser feito urgentemente. Caso contrário, este fenômeno pode se alastrar e chegar a outros pontos que ainda têm, pelo menos em parte, a segurança preservada.

A Prefeitura Municipal poderia utilizar a Guarda Civil Municipal para fortalecer o patrulhamento nos espaços mais vulneráveis, como as praças do Jardim ¶ngela Rosa, do Jardim Seminário e dos Angicos, no Jardim Francano, entre várias outras espalhadas por bairros diversos, como o São Joaquim e Éden, entre muitas outras. Apenas a presença de guardas civis e um reforço no patrulhamento da Polícia Militar serão capazes de inibir a ação de viciados, traficantes e outros criminosos.

Além disso, agora que está adquirindo câmeras de vigilância para bairros da cidade que não o Centro, o Executivo também poderia levar o monitoramento eletrônico aos pontos mais problemáticos. Embora sejam paliativas, soluções como essas trariam uma redução nas ocorrências criminosas nestes locais públicos. O melhor seria ver todos estes marginais segregados do seio da comunidade. Como ainda não é possível, seria importante que a Prefeitura buscasse soluções mais plausíveis para que as praças da cidade, sem qualquer exceção, sejam devolvidas aos seus verdadeiros donos, os francanos que se sentem acuados e ameaçados, evitando frequentar e levar seus filhos a estes espaços públicos, numa cidade tão carente de pontos de lazer baratos e seguros.

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