Sobre a economia nacional, são três as lições de casa que nós, brasileiros, precisamos fazer. A primeira, trata da política fiscal. A segunda, da balança comercial. A terceira, o controle da inflação. São interligadas, e uma tem muito a ver com a outra.
Nossa política fiscal tem se relevado frágil e pouco estruturada. Vivemos às voltas com carga tributária excessiva e os resultados se revelando medíocres. O gasto com despesas correntes tem crescido muito e penalizado investimentos, muito embora as autoridades fazendárias insistam que superávits primários fortes são esperados para novembro e dezembro.
Superávit primário, como se sabe, ‘representa a economia para o pagamento de juros da dívida pública e é visto pelo mercado como termômetro da seriedade dos governos na contenção de gastos e administração das contas públicas’.
Para cumprir a meta, o governo precisa economizar R$ 45 bilhões até dezembro. Em setembro, o resultado negativo cresceu, e o governo não conseguiu economizar para pagar os juros da dívida. O quadro sinaliza rebaixamento do ‘rating’ brasileiro. Até o final do ano, a balança comercial encaminha-se para resultados não muito favoráveis. Em outubro houve déficit (importações maiores que vendas externas) de US$ 224 milhões, o pior valor para este mês desde 2000, resultado que teria sido pior, não fosse a ‘exportação’ de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 1,9 bilhão, e que nunca saiu do Brasil. Na realidade, foi comprada de fornecedores brasileiros por subsidiárias no exterior e depois ‘internalizada’ no país como se estivesse sendo ‘alugada’.
Ai vem a lição da pressão inflacionária, onde se juntam taxa de juros, câmbio e safras, além de metas. O grande responsável pela condução do instrumental anti-inflação é o Banco Central, o guardião da moeda.
Vicente de Paula Oliveira
Economista — FEA/USP