10 de julho de 2026

Pelo fim das mordomias


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Quando se fala em reforma política, modificações nas leis e PECs (Propostas de Emenda Constitucional), todas as sugestões passam ao largo dos gastos dos senadores e deputados com a chamada cota parlamentar, que nos últimos dois anos (2011 e 2012) custou quase R$ 300 milhões aos cofres públicos só na Câmara dos Deputados. Em 2013, até o mês de abril, os gastos na Casa já superam os R$ 30 milhões.

De acordo com o site Cotas Parlamentares (www.cotasparlamentares.com.br), cujas informações são compiladas no site da própria Câmara, vê-se que os gastos vão de aluguel de carros a refeições, de combustíveis a dívidas com os correios. São despesas pessoais que qualquer outro trabalhador da iniciativa privada tem que pagar do próprio bolso. É uma dinheirama que, na verdade, está sendo desviada de outros setores, como a saúde. Com os R$ 300 milhões de 2011 e 2012 despendidos com a cota parlamentar dos deputados, seria possível construir pelo menos 150 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento em saúde) ao custo de R$ 2 milhões cada (valor que o governo tem destinado para cada nova unidade, completamente equipada). Se forem UBS (Unidades Básicas de Saúde), seriam pelo menos 600 ao custo básico de R$ 500 mil.

Por isso se vê a revolta do eleitor brasileiro, já que as normas que regem cargos com mandatos eletivos, principalmente em nível federal, são completamente diferentes das que atingem o trabalhador comum. Aliás, as leis trabalhistas são definidas por estes parlamentares que não se mexem para reduzir os gastos astronômicos que geram às custas do bolso dos brasileiros.

Os gastos são exagerados, principalmente quando se sabe que nos primeiros quatro meses deste ano os deputados federais gastaram quase R$ 1,5 milhão em serviços postais — numa época em que a Internet está substituindo até as ligações telefônicas — e R$ 5 milhões em fretamento de carros. Um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que de janeiro a junho, a Câmara dos Deputados gastou R$ 7,8 milhões para reembolsar os gastos de parlamentares com combustíveis e lubrificantes.

Por isso, o tempo é de reflexão, pois ano que vem teremos eleições. Os brasileiros precisam tentar eleger políticos mais comprometidos com a responsabilidade fiscal e com o suado dinheiro recolhido por impostos. Dinheiro público jamais deveria financiar mordomias ou maracutaias como as que levaram ao chamado “Escândalo do Mensalão”. A prisão dos envolvidos, todos ligados ao mundo político de forma direta, alguns deles até há pouco tempo auto-denominados “defensores da honestidade e da seriedade no trato da coisa pública”, representou um momento importante no restauro da lei aplicada a infratores. Também se impõe como uma oportunidade para refletir, mais do que nunca, sobre os nomes que se apresentarem como candidatos no ano que vem. Votar com consciência, ter conhecimento mínimo do caráter do candidato, avaliar seu curriculum, suas propostas e seu passado é essencial para passar o Brasil a limpo.

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