08 de julho de 2026

Mensaleiros na cadeia


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Para a grande parcela dos brasileiros que esperou por anos a fio pela resposta da Justiça ao maior escândalo político brasileiro das últimas décadas, foi um verdadeiro espetáculo ver a prisão de 11 dos 26 condenados pelo esquema do Mensalão. Um deles (o 12º), o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolatto, fugiu para a Itália (tem dupla cidadania) e dificilmente será capturado para cumprir sua pena. Foragido, apenas se sair da Itália é que poderá ser preso e extraditado. Do contrário, principalmente depois do episódio de Cesare Battisti (o notório terrorista condenado à prisão por assassinato naquele país e que recebeu asilo no Brasil como perseguido político), mesmo se não tivesse cidadania italiana dificilmente Pizzolatto seria trazido de volta para cumprir sua pena.

O episódio lavou a alma de quem esperou oito anos, cinco meses e 27 dias para ver os chefões do esquema na cadeia. A tônica dos discursos dos mensaleiros (principalmente José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil de Lula, considerado pela Procuradoria Geral da República como ‘chefe da quadrilha’ e José Genoino, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores) apresentando-se como ‘heróis, vítimas de perseguição política’ e de ‘julgamento de exceção’ (como afirmou Delúbio Soares, que era tesoureiro do PT na época do esquema), tornou-se ridícula.

O STF (Supremo Tribunal Federal), ao condenar e determinar a prisão dos participantes do esquema (ainda há 14 à espera da execução das penas), deixa claro o entendimento de que não irá se apequenar diante de ilegalidades cometidas por políticos. Os corruptos que coloquem suas barbas de molho: a cadeia serve para eles também. O último recado dos ministros do Supremo foi bem claro: ações protelatórias que levem a uma conclusão arrastada que permita a prescrição dos crimes não mais serão aceitas. Assim, depois do caso do deputado Natan Donadon (preso em regime fechado por corrupção e improbidade administrativa), o Brasil não vai fechar os olhos para quem se aproveita do mandato para locupletar.

O que se deve ressaltar é que o PT e os condenados insistem nas teses de falta de provas, julgamento político e inocência. A farta documentação permitiu ao STF detalhadas sentenças que partiram até dos ministros claramente alinhados com o partido do governo. Quanto a se considerarem presos políticos, estes só existem em países com os quais o Partido dos Trabalhadores tem estreitas ligações, como Cuba, Venezuela e nações africanas, onde não há julgamentos tão claros e minuciosos como o do Mensalão. No Brasil não houve prisão política. Temos, sim, políticos presos, depois de julgados e condenados. O que se espera, a partir do cumprimento das sentenças, é que nossos políticos percebam que o País vive uma nova fase e passem a medir melhor os seus atos e agir em benefício dos seus eleitores. Hoje, a opinião pública se interessa mais pelo que é feito no entorno do poder e não admite mais corrupção, trapaças e acordos realizados na surdina causando prejuízos ao interesse geral.

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