Em sua edição de 15 de setembro, este Comércio informou que o Conselho Tutelar de Franca registra média mensal de 40 casos de pais que, alegando haver perdido as rédeas, desistem de orientar os filhos. Conquanto não surpreenda, não deixa de ser alarmante, posto que confirma uma terrível decadência moral.
Imaturidade dos pais na condução do processo evolutivo da prole, filhos que resultam de relacionamentos fortuitos e sem compromisso sério, situações graves diante das quais os pais se embaraçam, porque resultantes, eles próprios, de educação inconsistente, estão entre os motivos da degenerescência social apontada. Por outro lado, temos na TV, desde os primeiros dias dos nossos pequenos, a ostensiva ‘educadora’ a inocular-lhes, na mente, sexo e violência, além de consumismo exacerbado e realização no ‘aqui e agora’ a qualquer custo.
Acresça-se a isso o fato de nossas leis atribuírem muito direito às crianças e jovens, sem autorizar que deles se exijam dever e responsabilidade. Ante a escola sem autoridade, a proibição de trabalhar e a falta de medidas de incentivo governamental ao esporte, cultura, ao lazer e mesmo ao trabalho que possam realizar, muitos dos jovenzinhos se veem aliciados para o consumo e, inevitavelmente, para o tráfico de drogas.
Dos meninos tiraram o trabalho. Dos pais, a autoridade. Dos professores, o direito e a obrigação de reprovar. Vive-se o círculo do fingimento: a lei finge que protege a criança, o professor finge que ensina, o aluno, que estuda; e o Estado, finge que paga.
De religiosidade nem se fala! Pais, separados pelo trabalho, quando livres, entregam-se a atrativos mundanos. Sem religião, não falam em Deus. Os problemas permanecerão enquanto ausente a disposição para resolvê-los. Enquanto isso, oremos à piedade do nosso Pai Celestial.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca