O 1º Distrito Policial investiga um comerciante de Franca suspeito de ter vendido em quatro anos cerca de 150 Carteiras Nacionais de Habilitação falsas. DS, 33, do bairro São José (polícia só divulgou tais informações sobre acusado), agia através de intermediários e cobrava, em média, R$ 2 mil de cada comprador. Ele utilizava um computador caseiro para a confecção dos documentos. Até a última quinta-feira, 40 pessoas de 16 cidades foram identificadas e indiciadas por uso de documento falso. Outras 100 estão sendo procuradas. O comerciante, desde 2009, teria arrecadado R$ 300 mil com o esquema.
A investigação, iniciada há seis meses, é comandada pelo delegado Pedro Luiz Dallaqua. Uma equipe começou a trabalhar no caso quando investigava a participação de DS no golpe da Capemi (leia nesta página). “Nós estávamos investigando um estelionato e na residência dele apreendemos equipamentos de informática. Em um computador descobrimos arquivos digitais contendo bonecos de carteiras de diversas pessoas de cidades diferentes. Na consulta, descobrimos que eram todas falsas”, disse Dallaqua.
Identificado o fraudador, o 1º DP passou a investigar pessoas que compraram as carteiras falsas. Dallaqua esteve em 14 cidades de São Paulo, uma de Minas Gerais e outra de Goiás. “Algumas CNHs já tinham sido apreendidas em operações da polícia e os portadores já respondiam a processo por uso de documento falso. Nós apreendemos 40. Os portadores foram indiciados por uso de documento falso”, garantiu o delegado.
Um dos compradores é de Pradópolis (SP). Em depoimento, ele confirmou que obteve o documento sem realizar os exames previstos na legislação e admitiu ter pago mais de R$ 2 mil. Só não reconheceu o francano como o vendedor. “Ele (DS) não participava diretamente da negociação. Havia sempre um intermediário que fazia a ponte entre ele e o comprador. Alguns intermediários foram identificados e outros são investigados”, lembrou o delegado.
A maioria dos compradores é formada por pessoas com pouca ou nenhuma instrução. Elas não conseguiram obter a carteira por meios legais, entraram no esquema e agora terão de responder à Justiça. O comerciante suspeito, de acordo com o delegado, “tem colaborado com as investigações”. Por isso, responde em liberdade. Ele não foi localizado pela reportagem, mas seu advogado, Gilmar Machado da Silva, de Franca, disse seu cliente só se manifestará após o término do inquérito.