Nas últimas quatro décadas tornou-se comum dizer que o clima ficou maluco. Chuvas torrenciais atingem lugares que desconheciam fenômenos do tipo, causando prejuízos, estragando a produção agrícola e, além de matar, deixando milhares de desabrigados ou desalojados. É o que se vê no Sul do País atualmente, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Recentemente, Paraná e Rio de Janeiro também foram palcos de tragédias causadas pela natureza, com vítimas que não se recuperaram até agora.
Aqui em Franca, considerada uma cidade de clima ameno apenas quarenta anos atrás, o panorama mudou. Quando chove, chove muito. E o clima ameno acima citado existe hoje apenas na lembrança dos mais antigos. Ondas de calor sufocante são cada vez mais comuns, como nestes últimos dias, enquanto as enchentes nas avenidas marginais tornaram-se o grande problema (ainda não resolvido, embora as intervenções sejam frequentes) de sucessivas administrações municipais. Aliás, alguns anos atrás o município chegou a ser atingido por um ciclone.
Enquanto isso, a seca no Nordeste perdura e torna-se a cada ano mais inclemente, causando vítimas em todo o espectro do meio ambiente, de homens a animais caseiros, da plantação a animais de corte. E lá, quando chove, chove mais do que o esperado. No Norte, as chuvas frequentes começam a causar elevação anormal do curso de rios e as consequentes inundações arrasam cidades e plantações. Isso apenas para ficarmos em nível doméstico, tratando só do Brasil. Mas as ocorrências se multiplicam e chegam a pontos tão distantes quando Índia, países europeus, Filipinas, Estados Unidos e nações africanas.
A situação fica cada vez mais preocupante, mas há uma explicação bastante plausível. Não é o tempo que está ficando desequilibrado: é a natureza que começa a cobrar a fatura das intervenções que o ser humano praticou ao longo da história. Sempre se disse que a natureza é sábia, com reconhecida razão.
Nada existe por existir em nosso meio ambiente. As devastações de imensas florestas tropicais hoje se refletem nos fenômenos climáticos devastadores. A construção de cidades e a pavimentação de ruas levam à impermeabilização do solo e às consequentes inundações.
Hoje é necessário que se busquem soluções urgentes, já que todos estes fatores somados (inclusive a emissão de gases que levam à destruição da camada de ozônio) estão tornando alguns períodos insuportáveis ou trágicos em nosso ecossistema. O desvio do curso de um rio é capaz de tornar desertas terras hoje férteis ou causar enchentes inéditas em outros pontos.
Nunca se falou tanto em sustentabilidade, consumo consciente dos recursos naturais ou em reciclagem. Mais do que isso, precisamos repensar a forma como estamos tratando o planeta. Do contrário, poderá ser cobrada uma fatura muito mais robusta da apresentada agora, não apenas a nós mas também às gerações futuras.
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