Pesquisas indicam que a maioria dos consumidores está endividada, alguns superendividados. Nesta situação, é preciso um minucioso planejamento para sair da forca e recuperar o poder de compra, porque, sem planejamento, a situação pode se tornar insustentável e o consumidor se afundar de modo irrecuperável. Então, algumas dicas são importantes, neste momento, em que o marketing pré-natal é agressivo o suficiente para atingi-lo e até convencê-lo a consumir.
Mês passado, a FecomercioSP (Federação do Comércio de São Paulo) realizou pesquisa que demonstrou o atual endividamento das famílias paulistanas: 54,4% das famílias da capital paulista estavam endividadas, número maior do que aquele registrado em setembro. O número de endividados, é 5,5% maior do que o registrado em outubro de 2012, quando 48,9% estavam endividadas.
O quadro é preocupante para o comércio no final do ano, época de recordes de vendas. É também sinal de alerta a consumidores, para que não comprometam o décimo terceiro salário com presentes e economizem, para enfrentar as contas de janeiro. Segundo a pesquisa, o endividamento é maior entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, atingindo 58,5% delas.
Entre as famílias com rendimento superior a essa faixa, 42,3% têm dívidas. Segundo a Fecomercio: ‘os números indicam que as camadas da população com renda mais baixa são afetadas mais rapidamente pela inflação e usam o crédito para manter o consumo’. Deveria ser o contrário. O aumento da inflação deveria fazer com que as pessoas poupassem mais, para enfrentar o mar revolto da economia. Quando a pesquisa disseca modalidades que mais corroem o salário do consumidor, fica clara a opção pelo consumo: o cartão de crédito continua sendo o principal meio de endividamento, usado por 69,7% das famílias, seguido pelos carnês (16,3%) e financiamento de carro (16%). Este dado é péssimo porque o cartão de crédito é a modalidade que tem a maior taxa de juros. Em alguns cartões, sua dívida dobra em quatro meses, ou seja, deve ser evitada ao máximo a dívida no cartão de crédito.
Portanto, o endividamento das famílias na principal cidade do país deve ser motivo de preocupação e planejamento dos consumidores francanos. Faça uma análise detalhada de seus gastos e tente cortá-los ao máximo, principalmente nesta época em que você recebe o décimo terceiro salário e pode poupá-lo. Primeiramente, tente acertar as dívidas pendentes.
Se não há dívidas, poupar é a melhor alternativa para que o mês das contas, janeiro, possa ser enfrentado. Planejamento e poupança são as melhores alternativas para não entrar na forca das dívidas. Para aqueles que já estão endividados, planeje e corte gastos para, num futuro próximo, conseguir poupar. Seguindo estas premissas, com certeza sua vida financeira melhorará.
COMO USAR O 13º SALÁRIO: Segundo pesquisa da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), realizada em outubro, mais de 20% dos brasileiros, ou um, em cada cinco consumidores, pretende guardar o 13º salário este ano. O número — 20,4% —, representa alta em relação a 2012, quando 16,3% planejavam poupar. Segundo o Dieese, o 13º salário deverá injetar R$ 143 bilhões na economia. A pesquisa indica que caiu porcentagem de trabalhadores que vão usar o benefício para pagar dívidas, de 32,6% em 2012 para 24,5% este ano. Os dados denotam que o nível de conscientização dos consumidores tem aumentado e isso é importante para invertermos a lógica do consumo desenfreado e irresponsável de tempos atrás.
Denílson Carvalho
Advogado, ex-coordenador do Procon/Franca - advogado@denilson.adv.br