O que define “democracia” não é “a vontade da maioria”, mas é “poder discordar da maioria”. No Brasil, assistimos ao domínio de pensamento da corrente ainda tratada como “esquerda”, ou ‘progressista”. De forma sistemática, planejada e minuciosamente, criaram visão hegemônica. O discurso é progressista, mesmo com população conservadora. Se você não se alinha, você é do mal. Ponto.
A maioria deles jamais leu Marx e, se leu, não entendeu. São os marquissistas. Ocuparam posições de destaque e contaminaram as discussões. Sua influência está na geração que povoa vídeos de jovens artistas que pregam progressismo inconsequente, ou nas celebridades de internet que, em vídeos, disseminam o que chamo de Teologia do Crioulo Doido, mistura de Marx com Chapolin Colorado.
As poucas vozes dissonantes, com visão liberal ou conservadora foram sendo caladas. O adjetivo “de direita” passou a ser ofensa, mas, o discurso progressista, que promete céu que jamais chega, não tem sustentabilidade.
A Folha contrata Reinaldo Azevedo e Demétrio Magnolli como colunistas. A Veja contrata Rodrigo Constantino. A CBN vai de Fernando Gabeira e Marcelo Madureira. O letrista e escritor Nelson Motta reforça a visão liberal-conservadora. O roqueiro Lobão desponta, com livros e programas de entrevista na internet. O comediante Danilo Gentili se revela de visão liberal-conservadora surpreendente. E vem nova geração com Luiz Felipe Pondé, Leandro Narloch, Guilherme Fiúza, Bruno Garschagen, Flavio Morgenstern, Paulo Eduardo Martins e Rachel Sheherazade. São os de que me lembro, de bate-pronto. Você pode odiar essa turma, achar que são dinossauros ou tentados a chamá-los de fascistas. Mas são necessários. Quebram a hegemonia do discurso, criam polêmicas e trazem o que progressistas juram defender: a diversidade. Conviver com quem pensa diferente. Nem todo mundo consegue.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista