Uma história pouco conhecida dos brasileiros trata dos chamados ‘soldados da borracha’, heróis esquecidos da 2ª Guerra Mundial. Uma guerra não é ganha somente através dos que foram para o front, mas, principalmente, por aqueles que dão toda a retaguarda logística aos combatentes.
A segunda Guerra Mundial adentrava 1941. Os aliados viam o esforço de guerra consumir seus estoques de matérias-primas estratégicas. A borracha, produto essencial para pneus, equipamentos, calçados etc., não chegava às indústrias bélicas. A situação se agravou quando o Japão entrou no conflito, pois controlava mais de 97% das regiões produtoras do Pacífico e, de imediato, determinou o bloqueio definitivo dos produtores asiáticos de borracha a fornecer matéria prima a qualquer país aliado aos EUA.
O Brasil, aliado dos EUA, era a única alternativa para disponibilizar borracha. Assim começou a desconhecida ‘Batalha da Borracha’. É uma história de sacrifícios para mais de 60 mil homens/trabalhadores, recrutados que foram para o interior da região amazônica. Tinham que cortar seringa e ajudar o Brasil e os aliados a combater o nazismo. Receberam tratamento semelhante ao de soldados, mas, depois, foram esquecidos. A história só se lembra de quem lutou nos campos de batalha.
Os primeiros eram simples retirantes nordestinos e suas famílias, que fugiam da seca, mas como a necessidade americana era muito maior, o chamado Estado Novo do presidente Getúlio Vargas distribuiu aliciadores por todo o Brasil que tratavam de convencer trabalhadores a se alistar como ‘soldados da borracha’. Como ainda não conseguia atingir o número aproximado de 60 mil soldados do tipo, o governo passou a ‘chantagear’ famílias nordestinas, oferecendo apenas duas opções: ou seus filhos partiam para os seringais ou, deveriam seguir para o front na Europa, para lutar contra os fascistas italianos e alemães. É fácil entender que muitos preferiram a Amazônia.
Quem conhece a realidade da floresta sabe das dificuldades em se viver em ambiente tão hostil. Surtos epidêmicos matavam diariamente os soldados da borracha e seus familiares. Ao contrário do que afirmava a propaganda oficial, atendimento médico inexistia, e conflitos de toda sorte se espalhavam. Todos os brasileiros que, como soldados, no front de batalha ou na retaguarda, dando o suporte aos aliados, tiveram importante missão na segunda Guerra Mundial. Porém, ao final, o saldo foi muito diferente. Dos 20 mil combatentes brasileiros enviados a Itália, morreram 454. Dentre os quase 60 mil ‘soldados da borracha’, mais da metade desapareceu nas entranhas da selva amazônica.
Infelizmente, passadas várias décadas, o governo brasileiro ainda reluta reconhecer e considerar que o esforço de guerra tanto nas trincheiras europeias quanto na selva amazônica tiveram a mesma importância, concedendo um soldo aos ‘soldados da borracha’, igual aos dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira.
NOVO CPC E OS ADVOGADOS PÚBLICOS: Um dos pontos polêmicos do novo Código de Processo Civil é a autorização para o pagamento aos advogados públicos federais, dw honorários derivados de causas ganhas para a União. Os honorários são pagos pela parte perdedora a quem ganha o processo. Hoje, nas causas em que a União é vencedora, os honorários são incorporados ao orçamento do governo federal. Pelo texto do relator, uma lei posterior disciplinará esse pagamento aos advogados. Que me desculpem, mas como brasileiro não posso concordar com tal postura, a não ser que se retirem os salários pagos pelo governo, mensalmente, aos advogados públicos. O advogado público utiliza de todo o aparato fornecido pelo Estado e não precisa comprar um livro sequer para atuar, e ainda vai receber salários mais honorários?
Toninho Menezes
Advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br