08 de julho de 2026

Haja óleo de peroba


| Tempo de leitura: 2 min

É impressionante como agentes públicos no Brasil continuam achando que a opinião pública é ingênua. A qualquer escorregadela, sempre encontram desculpas para se dizerem inocentes, sem qualquer culpa. E apontam a “perseguição” da imprensa e de adversários como responsáveis pelas constatações da ação imoral, quando utilizam a sua posição privilegiada para conseguirem benefícios pessoais.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agia assim. Negou de forma peremptória a existência do mensalão, considerando o episódio como “invenção da imprensa e dos adversários”. Atacou mais uma vez os meios de comunicação quando se descobriu que seus filhos e amigos destes usaram um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajarem a Brasília num final de semana. Defendeu o ex-ministro Antônio Palocci e quem quer que fosse do seu círculo de colaboradores surpreendidos cometendo ilicitudes.

Estas atitudes não são privilégio do ex-presidente. Vários outros políticos de destaque, como o presidente do Senado Renan Calheiros, o da Câmara, Henrique Alves e um grupo numeroso agem da mesma forma. Mesmo diante de ações criminosas, atacam imprensa, adversários, ex-funcionários e outros mais para justificarem as transgressões. Haja óleo de peroba para tanta cara de pau. E elas continuam aí, locupletando e tentando passar a imagem de inocência que não lhes cabe mais. E isso acontece em todos os níveis.

Quem não se lembra de Rosemary Noronha, que fora toda-poderosa no mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, surpreendida pela Polícia Federal utilizando o escritório da Presidência da República em São Paulo para auferir vantagens pessoais? Amiga íntima do ex-presidente Lula, ela empregava parentes na administração, intermediava negócios milionários para amigos e familiares, hospedava-se em aposentos de luxo em representações diplomáticas do País mundo afora e tinha um talento especial para ganhar cortesias — de diárias em resorts de luxo a ingressos para shows de artistas consagrados. Cortejada por servidores graduados e empresários, Rose abria as portas dos gabinetes mais poderosos, inclusive o mais importante deles, no 3º andar do Palácio do Planalto.

Na semana passada, um ano depois da ação da PF que causou seu indiciamento e sua demissão, Rose quebrou o silêncio a que tinha se submetido por orientação de advogados e petistas graúdos. Em conversa com a revista Veja, publicada neste final de semana, se disse inocente e injustiçada. Apresentou-se ainda como vítima de trapaças de excompanheiros e de insinuações maliciosas da imprensa. “Não fiz nada de errado. E tenho certeza disso. Sou inocente.” Uma desculpa que não cabe mais nesses tempos em que se exige correção dos agentes públicos. Afinal, Rosemary foi flagrada em uma investigação oficial, corroborada por e-mails e telefonemas mais do que explícitos. Livre e solta, a ex-secretária da Presidência foi inidiciada ao lado de outros integrantes do esquema que causou prejuízos ao erário. Mais uma cara de pau para quem o brasileiro espera uma punição exemplar para que fatos do tipo não se repitam mais.

email opiniao@comerciodafranca.com.br