Quando, semana passada, eu terminei minha crônica dizendo: claro, a comida estava uma delícia, referindo-me a um prato comido num restaurante francês, o fiz propositadamente e sem qualquer romantismo, pois queria negar o clichê “casal jantando em Paris” para fazer uma análise fria do profissionalismo francês, que pudemos constatar.
Fomos a um ótimo restaurante, dois bons restaurantes e vários comuns e simples. Ao final do terceiro ou quarto dia, meu marido sentenciou: não precisamos de lista de indicação nenhuma, é sentar em qualquer um desses restaurantes do bairro, (estávamos hospedados em Saint-Germain-des-Prés) pedir, ser mal tratado pra burro e comer rápido e muito bem; tomar com enorme prazer um cafezinho, como se aquela qualidade de café fosse a mínima aceitável; receber a conta - sem que a tenha pedido - e ouvir, se for o caso, que a casa está para fechar. Sair a pé, namorar na rua, olhar ao redor: uma obra de arte a cada metro de caminhada, e chegar com o coração transbordando. Esse é meu resumo de Paris.
Então, como eles são: Qualquer lugar, por mais simples que seja, vai servir algo mais do que decente para comer. Por exemplo, um prato com fabuloso queijo de cabra, com presunto cru, linguiças, berinjelas e abobrinhas grelhadas, acompanhados por aquele pão, que por aqui não conseguimos fazer, custa cerca de 14 euros e alimenta muito bem duas pessoas.
Nesse mesmo qualquer lugar, o seu pedido, seja esse ou outro mais elaborado, chegará em qualquer coisa entre 5 e 10 minutos. Os pratos chegarão juntos, na temperatura correta e exatamente como descritos.
O atendimento será sempre ruim, claro, há exceções que só fazem confirmar a regra. Eles não têm paciência e envergam uma postura displicente que te faz sentir lisonjeado somente por estar sendo servido por ele, mesmo que você fale francês não conseguirá reverter a equação de: povo civilizado, eles, e silvícola, nós.
E, invejavelmente, admiravelmente, os clientes não “ficam” nos celulares! Enquanto comem, conversam sem parar! O interlocutor, seu parceiro de repasto, é a única pessoa interessante do mundo e detém toda a atenção do outro. O assunto deles não é sobre a pessoa da mesa ao lado.
E nos cafés, é sim verdade, tem sempre alguém lendo, ou escrevendo, ou desenhando, isso é super! - para ficar com uma palavra muito usada por eles.
A atmosfera: ah, ela existe! Ficamos nos perguntando o que nasceu primeiro, a cidade dos artistas ou os artistas da cidade - inconcluso. Mas, almoçando com o professor Luiz Cruz, o incitamos a responder quem nascera primeiro, o ovo ou a galinha? Aí, me rendi. O professor disse que acredita demais no sobrenatural, portanto, acredita que a cidade é a detentora dos talentos. É Paris, portanto, a pôr tintas em tantas penas e pincéis.
DICA DA SEMANA
Marinar carnes
Muita gente faz isso, alguns sabem, outros o fazem sem saber mesmo. Pois bem, por que marinamos a carne? Para que as fibras sejam suavemente rompidas e adentre em toda ela os temperos. Normalmente são: o vinho, as especiarias e as ervas. O tempo da marinada vai depender da qualidade da carne. O tempo prolongado pode destruir o seu sabor. Animais velhos poderão ‘hibernar’ na marinada por até três dias. Mas, como não estamos mais em tempos de se preparar assados deslumbrantes com carne de caça, nossas carnes normalmente estarão bastante boas com uma marinada de 8 horas.
Lembre-se de secar a carne quando for assá-la, pois o líquido em excesso irá cozinhá- la ao invés de assá-la. E, todas as ervas e verduras da marinada deverão ser descartadas e substituídas por outras frescas. O caldo, no caso dos assados, poderá ser reduzido e servido a parte.