08 de julho de 2026

Lado sombrio


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O psicanalista Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, divergiu do mestre , especialmente quando a motivação unicamente sexual de nossas ações. Jung utilizou o termo arquétipo para explicar a origem de muitas das nossas ações e reações. Também é dele a afirmativa de que todos possuímos um ‘lado sombrio’ em nossa personalidade e que desejamos ocultar. É o que poderíamos chamar de ‘o lado feio’ da individualidade, conforme expressão do expositor espírita Newton Boechat. E, o que é este campo de sombras? No entendimento do Espiritismo, nossa atual reencarnação é o somatório das experiências que já vivemos no decurso dos milênios. Por isso, Emmanuel, o mentor de Chico Xavier, afirma que somos herdeiros de nós mesmos. Quer dizer, ao longo das vivências necessárias ao aprimoramento espiritual, vamos deixando, por mau uso do nosso livre arbítrio, sobras negativas que infelicitam. Este é o lado sombrio da nossa personalidade espiritual que é imortal e que permanece até que seja decantado pelo nosso empenho na melhoria de nossos pensamentos, sentimentos, ações. Neste depósito, o inconsciente, é que nascem as atitudes menos dignas. Depende só de nós, darmos ou não, guarida. Significar dizer que, embora tenhamos o lado sombrio, somos dotados de livre arbítrio para acolher, ou não, os desejos que sopitam na nossa personalidade. Por isso mesmo é que Jesus nos ensinou a orar dizendo ‘não nos deixeis cair em tentações’! Em última análise, tentações residem em nós mesmos. O pedido do Mestre Jesus é para que Deus, o Supremo Pai, nos dê forças para resistir ao lado sombrio. A resistência ao mal não pode ser feita por alguém que esteja fora de nós. Somente nossa vontade é capaz de estabelecer a decisão correta. Por esta razão, com muita propriedade, o ‘Alcoólicos Anônimos’, orienta a que não tomemos o primeiro gole, posto que este é por nossa vontade. Depois, somos comandados pelo que dormita no nosso lado escuro. Conforme orienta a Doutrina Espírita, somos acompanhados por nossos adversários espirituais e que desejam nossa ruína, estimulando-nos no erro. É isso que se chama obsessão!

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca