08 de julho de 2026

Violência explosiva


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O número de homicídios registrados por aqui coloca o Brasil como o sétimo mais violento do mundo. Os dados sobre a criminalidade foram enviados pelas Secretarias de Segurança das 27 unidades da federação para o Anuário Estatístico do SBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). No ano passado, os homicídios no Brasil cresceram 7,6% em relação a 2011. Trata-se de um número bastante alto, principalmente quando se sabe que supera em duas vezes o de vítimas dos históricos conflitos entre Rússia e Chechênia, que se desenvolvem desde a última década do século passado. Nem os fortes bombardeios sobre a capital chechena Grozni, em três ocasiões distintas, causaram tantas mortes como as registradas no Brasil a cada ano.

De acordo com o Anuário, o total de assassinatos registrados no País em 2013 é o maior da série histórica desde 2008. Houve 50.108 casos no Brasil no ano passado, incluindo homicídios dolosos (47.136), assaltos seguidos de morte (1.810) e lesão corporal seguida de morte (1.162). O País registrou taxa de 25,8 homicídios por 100 mil habitantes. E São Paulo puxou o índice para cima. O índice, que vinha caindo desde 2000 no Estado, aumentou 14% no ano passado. É mais do que o dobro do índice considerado aceitável pela ONU (Organização das Nações Unidas), de 10 homicídios por 100 mil habitantes (como ocorre nos Estados Unidos).

Mas a situação é bastante grave nos Estados do Norte e Nordeste, que seguem liderando o ranking de homicídios em nosso País. Alagoas, com 61,8 casos por 100 mil habitantes, apesar de estar no primeiro lugar no ranking, registrou redução de 14%. Pará subiu para a segunda colocação, com 44 por 100 mil, seguido por Ceará (42,5), Bahia (40,7) e Sergipe (40). Por isso, o Brasil fica em 7º lugar entre os países mais violentos do mundo. O número ainda é superior ao de países em conflitos, como Iraque e Afeganistão, e comparado ao de nações africanas e caribenhas com governos e instituições precárias e instáveis. Na América do Sul, somente Venezuela (45,1) e Colômbia (33,4) possuem taxas maiores.

E, pelo visto, ainda estamos longe de atingir o índice considerado aceitável pelos organismos internacionais. Além de falhar nos fatores preventivos fornecendo educação, moradia e emprego para famílias carentes, o Estado também fracassa na repressão ao crime organizado. As polícias civil e militar no Brasil são mal remuneradas e conhecidas pela corrupção e truculência. Sem que sejam observados estes dois aspectos -- e a corrupção tem um grande papel na perpetuação deste quadro, ao desviar parte do dinheiro que poderia ser investido --, dificilmente o governo estará em condições de fazer frente ao problema. Será necessário um esforço de todas as forças políticas brasileiras, em todos os níveis, para que a violência urbana deixe de fazer tantas vítimas como agora. Uma tomada de posição que extrapole partidos, ideologias e interesses pessoais ou políticos tem que ser a tônica para que a violência perca fôlego, reduzindo consequentemente todos os índices correlatos, como a violência contra pessoas e o patrimônio.

Mas isto tem que partir das autoridades constituídas.

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